O MDB nas eleições de outubro

autor André Pereira Cesar

Postado em 23/05/2018 15:53:02 - 15:40:00


Romero Jucá discurso no evento do MDB que lançou Meirelles à Presidência/Divulgação/MDB

O que é líquido e certo é que, mais uma vez, o MDB elegerá uma grande bancada na Câmara

Maior partido do Brasil, o MDB terá participação fundamental nas eleições de outubro próximo. Até aí, nada de novo. A novidade é que pela primeira vez desde o governo Itamar Franco, na primeira metade da década de noventa, a agremiação participará do pleito comandando o Planalto.

Um pouco de história.

Surgido durante o regime militar como contraponto ao partido governista, a Arena, o MDB esteve presente nos mais importantes eventos da política nacional das últimas décadas. Combate aos militares, Diretas-Já, eleição de Tancredo Neves, Plano Cruzado, Constituinte, os emedebistas sempre foram protagonistas da história brasileira.

Indo além, desde o governo Fernando Henrique Cardoso, em 1995, o MDB sempre integrou a base aliada. O partido, em tese, seria essencial para garantir a "governabilidade" das administrações federais.

O partido comandou ainda por três vezes a Presidência da República. As três ocasiões, diga-se, se deram de maneira "acidental". Em 1985, o então vice-presidente José Sarney assumiu após a morte do titular Tancredo Neves; em 1992, Itamar Franco foi alçado à presidência depois do afastamento de Collor; por fim, Michel Temer tomou o poder em 2016 com o impeachment de Dilma Rousseff.

Nas duas vezes em que disputou a presidência na cabeça de chapa, o MDB (então PMDB) teve desempenho pífio. Em 1989, Ulysses Guimarães foi fragorosamente derrotado no primeiro turno. Em 1994, Orestes Quércia ficou atrás até mesmo do folclórico Enéas Carneiro.

O que esperar do MDB em 2018?

Mesmo com a caneta presidencial nas mãos, é pouco provável que o partido vá até o fim com a anunciada pré-candidatura de Henrique Meirelles. Pouco conhecido do eleitorado e com índices baixíssimos nas pesquisas de intenção de voto, o ex-ministro da Fazenda enfrenta também resistência de setores emedebistas que defendem o apoio a outros nomes.

Esse posicionamento reflete a realidade histórica do MDB. A agremiação é forte nos estados e municípios. Mais que isso, diferenças regionais dificultam a unidade no plano federal. Assim, interessa mais ao líderes nos estados buscar alianças locais, alianças essas que fortaleçam o partido de baixo para cima. Em Alagoas, por exemplo, o clã Calheiros tende a caminhar ao lado do PT. Em outros locais há conversas com DEM, PSDB, PP e outros.

O que é líquido e certo é que, mais uma vez, o MDB elegerá uma grande bancada na Câmara dos Deputados. Mais ainda, salvo uma improvável vitória de um candidato mais à esquerda, como Guilherme Boulos (PSOL), o MDB será chamado a integrar a base aliada do governo que assumirá no início de 2019.

O recente movimento de setores do centro certamente tentará atrair os emedebistas para suas fileiras. Essa será uma maneira do presidente Temer, hoje bastante enfraquecido, manter algum protagonismo na disputa.

De todo modo, o MDB será novamente importante no processo eleitoral, e também nos futuros debates em torno dos grandes temas nacionais.


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