Limpeza ética

autor Maya Félix

Postado em 18/05/2018 07:25:42 - 07:12:00


Craque Neymar em foto de divulgação da seleção brasileira, o orgulho nacional/Divulgação

Nunca deixamos de pagar altos impostos ao poder estabelecido; hoje não pagamos, somos extorquidos

Será mesmo que o Brasil está passando por uma limpeza ética e política? Outro dia li isso em algum lugar. Alguém se referiu a este momento desta forma. Sou cética. Não creio em limpezas, muito menos na política, muito menos no Brasil.

Alguém se lembra do Plano Cruzado? Cruzado Novo? Não me deixe, minha gente? Porque tinha aquilo roxo. Aí o país torceu pelo – finalmente – operário que venceu o medo, mas hoje está preso porque a grana venceu a esperança.

Está certo, vamos voltar atrás. A Marcha dos 100 mil. Medo de termos esquerdistas no poder. Mas eles chegaram ao poder e ferraram o Brasil. Os militares tomaram o poder. Era para ficarem só um pouco, mas ficaram 20 anos.

Brasil, ame-o ou deixe-o. Comício pelas Diretas, o povo batendo panelas, Chico Buarque compondo horrores, chegou a democracia e foi uma bela porcaria. Nenhum presidente soube fazer o dever de casa. Nem FHC, que hoje defende a liberação da maconha e o Lula.

Não me julguem, o problema é que o Brasil nunca deu certo. Monarquia? Alguém aí quer comparar D. Pedro I à Rainha Vitória (sem ranços, por favor)? Não, ele não proclamou a independência, mas apenas deu um jeitinho. Um jeitinho lusobrasileiro.

Nunca deixamos de pagar altos impostos ao poder estabelecido; aliás, hoje não pagamos, somos extorquidos. Olho com certa inveja para os Estados Unidos, que permitem porte de armas, empreendedorismo sem burocracia, prisão perpétua e outros luxos.

Outro dia, curiosa, fui ler a Constituição Federal. A Constituição Cidadã. A revolução dos direitos. A estrovenga da morte lenta que um dia, em 1988, alguns dementes perderam tempo (o deles) e dinheiro (o nosso) produzindo. Pensei comigo mesma: não serve nem para fazer fogueira em época de São João. É enorme, cheia de emendas, complicada, impraticável na vida real, defasada e, em alguns trechos, surreal. Contudo, exaltada em todos os cursinhos de Direito Brasil afora! Lasciate ogne speranza, voi ch' intrate!

Mais uma vez morri de inveja dos EUA e do Reino Unido. Não que eu tenha algo contra o Brasil, a priori. Chorei na derrota para a Itália em 1982. Sempre torci pela Seleção Canarinho, em todas as Copas do Mundo. Sempre tive orgulho de ser brasileira, mesmo que isso me custasse ser alvo de piadas, como já me ocorreu na França, certa vez.

Acho que há coisas boas na cultura brasileira: Machado de Assis, Ferreira Gullar, Cecília Meirelles. Mas o problema é que perdemos tempo num ufanismo pueril que já não me desce mais. Hoje eu quero cortar na carne por todas as outras 575 vezes em que as pistas eram falsas e o plano do imbecil que saiu lucrando era rir na minha cara.

Não, nós não estamos num processo de limpeza. Não, não existe ética. Ainda não! O que existe é um Gilmar Mendes no Supremo e um Toffoli assumindo a Presidência do STF em setembro.

Lula disse, em 1993: (Há) uma minoria de parlamentares que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns 300 picaretas que defende apenas seus próprios interesses. Disse mais, desta feita em 2016: Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos o PT e o PC do B começaram a acordar, um presidente da Câmara fudido, um presidente do Senado fudido, não sei quantos parlamentares ameaçados e fica todo mundo no compasso achando que vai acontecer um milagre.

Vou eu acreditar que estamos num admirável mundo novo? Subitamente? Vivo num país em ruínas, após vários anos de governos desastrosos. Não é tempo de celebrar nada. Eleições em breve: dia sete de outubro.

Não confio nas urnas eletrônicas. Acredito piamente que as eleições de 2010 foram fraudadas. Estudiosos já demonstraram, facilmente, que as urnas eletrônicas são um embuste, tranquilamente corrompíveis. Mais uma vez tenho inveja dos americanos, que têm outro sistema, contam tudo no papel, vale o escrito. Palmas para eles.


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