As rosas de maio

autor Galba Velloso

Postado em 07/05/2018 06:48:55 - 06:37:00


Pintura de Robert Duncan, de Utah, que faz homenagem às mães/Arquivo/Reprodução

A humanidade foi socorrida pela inspiração da religiosidade para louvar as mães

O Dia das Mães, marcado pela alegria dos que a têm e pelas dimensões da ausência daquelas que já se foram, mas que de longe e do alto zelam por sua descendência, é um dia alegre pela presença das que estão conosco e das boas lembranças das que estarão também sempre presentes. 

Mas a grandeza da data não se faz apenas pela alegria compartilhada, pelo carinho, pelo afeto, mas também pela coragem, pela solidariedade e até pelo heroísmo das que nos trouxeram a este mundo. 

A possibilidade vocabular de louvar as mães já de há muito se esgotou em qualquer idioma e repetir os elogios levaria a clichês com traços meramente comerciais.

Foi preciso que a humanidade fosse socorrida pela inspiração da religiosidade para poder continuar louvando as mães no patamar que merecem. 

E assim, o ocupante do trono de São Pedro, ao batizar sua principal encíclica, batizou a própria igreja e fez justiça à maternidade em todo o mundo, com as célebres palavras Mater et Magistra, Mãe e Mestra, as características complementares que transmutam essa dualidade em uma extraordinária e inigualável unicidade humana. 

Esgotados os elogios e feito o batismo, só nos resta deixar que mães e filhos, por seus exemplos e palavras, registrem a grandeza de cada uma, parte integrante da grandeza de todas. 

Em um olhar sobre a História jamais se deixarão de enxergar, tremulando, as bandeiras das Mães da Praça de Maio, vítimas de um regime que perseguia também os filhos e sequestrava os netos. 

As nossas, nós as vimos no Brasil morrer na tentativa de obter intervenção em favor de presos políticos. 

Nos campos de batalha, as encontramos correndo entre o fogo de artilharia para socorrer filhos e soldados quando não havia uma estrutura organizada. 

Na porta dos cárceres, políticos ou não, através dos tempos elas montam guarda para que o arbítrio saiba que encontra limite na sua permanente vigilância. 

Nas enfermarias e nos locais onde essas sequer existem, o seu instinto lhes permite uma intervenção atenuadora das dores e consoladora do espírito. 

Na evolução da política, as sufragistas trouxeram a marca inicial do empoderamento feminino, que prossegue mas aos poucos, cobrando de todos nós a implementação da igualdade em todos os campos e até mesmo o reconhecimento da superioridade tantas vezes demonstrada. 

Os artistas que se glorificaram por suas obras, devem ser lembrados que sua beleza e força resulta não apenas do pincel e das ferramentas de escultura, mas emanam da própria modelo que retratam. 

O mundo não teria o seu mais famoso sorriso se a modelo não tivesse sorrido. 

E nem o corpo mais perfeito se a natureza não quisesse demonstrar na beleza de suas formas a grandeza de seu conteúdo. 

Na ciência, contribuíram de forma expressiva e valiosa e se tornaram a força crucial do magistério em todo o mundo. 

As mulheres influenciaram governos na ascensão ao poder e no exercício dele, da mesma forma que no ocaso e na despedida da glória passageira. 

Advertia-os, como os romanos a seus Césares, com o brocardo sic transit gloria mundi. 

E representaram sempre o último consolo quando chegava a derrocada, de que é exemplo um dos mais controvertidos estadistas do século passado, que no momento final de deixar o poder, não discorreu sobre o mundo nem seus próprios feitos, discursou sobre sua mãe: 

“Minha mãe, ela era uma santa. Não haverá livros sobre ela. Mas ela era uma santa.” 

Assim, poderosa mas discretamente, as mulheres nos têm deixado pensar que a História nos pertence, esquecidos de que a glória, no mais das vezes, é propiciada por elas. 

Mas chegou a hora e a vez do empoderamento feminino, para que apareçam, contribuam e brilhem com o reconhecimento e a alegria que merecem.


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