Descubra novos sabores

autor Vitória Colvara

Postado em 25/04/2018 16:15:54 - 16:08:00


Há muita informação para que possamos nos alimentar bem/Arquivo/Divulgação

Já aderi à campanha segunda sem carne, já reduzi consideravelmente meu consumo de laticínios

Hoje, almoçando em uma repartição pública, me deparei com inúmeros incentivos – dos mais sutis aos mais escancarados – para se buscar uma alimentação saudável. Questão que antes era pauta exclusiva dos nutricionistas, agora está presente nos mais variados âmbitos profissionais, fazendo surgir, recentemente, a especialidade médica de nutrologia.

Que tal se nadarmos a favor dessa corrente pela saúde alimentar e nos comprometermos a conhecer novos restaurantes, buscar novos conhecimentos, ler outros livros, assistir menos jornal e a descobrir novos sabores? E que tal começar essa descoberta dentro da nossa cozinha? Ou no horário de almoço do trabalho?

Depois de assistir a excelentes documentários sobre o consumo de carne animal e ler bastante sobre o assunto, eu senti quase que uma obrigação ética e moral de compartilhar o pouco disso. Você já ouviu falar da campanha “segunda sem carne”? Existente em 35 países de maneira clara e simples a campanha nos convida a pelo menos uma vez na semana deixar de lado todo e qualquer alimento de origem animal.

Antes mesmo da tão falada operação da Polícia Federal: “a carne é fraca” que se por um lado trouxe prejuízos à economia do país, por outro deixou bem clara a falta de seriedade de muitas empresas com o que é vendido aos brasileiros, a Sociedade Vegetariana Brasileira já encabeçava essa campanha da segunda sem carne, com a proposta permanente de debater a respeito dos impactos da pecuária ostensiva.

O mais importante em qualquer diálogo é a paridade do acesso à informação. Hoje, em plena era digital, faz-se necessário muito senso crítico para levar em consideração o que lemos, ouvimos e vemos. A partir do momento que temos um Congresso Nacional cuja bancada ruralista ultrapassa a metade dos parlamentares, se torna um tanto quanto desafiador falar sobre qualquer assunto que bata de frente com a queridinha do Brasil: a agropecuária. Como a globo tem dito, o Agro é TUDO. Será?

Propor mudanças de hábitos, lutar contra a criação de gado em larga escala, ou apontar dados científicos acerca dessa atividade, com certeza, não é tarefa fácil, mas também não é impossível. A cada dia cresce o interesse da sociedade em consumir produtos orgânicos, em se preocupar com a origem dos alimentos que chegam à mesa. Muitos são os médicos e nutricionistas que defendem uma dieta equilibrada com redução de carne animal. Poucas são as informações disponibilizadas a sociedade sobre esse assunto. E as que rondam por aí são chamadas de radicalistas e afins.

Você sabia que a pecuária é a principal ameaça ao equilíbrio dos ecossistemas? E que a cada minuto nossas florestas perdem o equivalente a um campo de futebol somente para criação de pasto? Sabia que por mais que você se esforce para passar menos tempo no banho, ao comer 1kg de carne de vaca você está consumindo 15.500 litros de água? E por outro lado, se consumir a mesma quantidade de arroz gasta apenas 2.300 litros desse bem tão precioso e em escassez por conta das atividades industriais e agropecuárias.  

Eu prezo pela L I B E R D A D E. Acredito que seríamos criaturas muito mais evoluídas se fôssemos verdadeiramente livres, se pudéssemos expressar nossa opinião livremente, se tivéssemos o livre acesso às informações verdadeiras. E é justamente por prezar pela liberdade que eu não vou tentar, com esse texto, impor a quem quer que seja uma mudança radical de hábitos e de comportamento.

Isso porque eu compreendo a complexidade existente por detrás de uma mudança radical na alimentação. Eu, por exemplo, embora tenha muitos amigos vegetarianos, ainda não me tornei uma. Mas já aderi à campanha segunda sem carne, já reduzi consideravelmente meu consumo de laticínios, já despertei minha curiosidade para novas receitas, novos sabores, novos restaurantes que ofereçam um cardápio vegetariano. Hoje eu tenho total interesse por esse assunto e estou sempre buscando novas informações. Se pelo menos essa curiosidade eu tiver despertado em vocês, já me sinto plenamente feliz.


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