O PT nas eleições de outubro

autor André Pereira Cesar

Postado em 19/04/2018 11:42:51 - 11:32:00


Partido deverá definir suas diretrizes e estratégias para as eleições de outubro/Arquivo/Divulgação

Há quatro hipóteses que podem ser consideradas, uma delas é não ter candidatura própria ao Planalto

 

É de conhecimento geral que o PT vive um momento crítico em sua história. O partido, que governou o país do início de 2003 a abril de 2016, definirá em breve quais serão suas diretrizes e estratégias para as eleições de outubro próximo, em especial a sucessão presidencial. Os rumos dos petistas terão forte impacto sobre a dinâmica da campanha e, é óbvio, sobre os resultados eleitorais.

Afinal, para onde vai o PT?

Hipótese 1 - o PT insiste na candidatura Lula: favorito nas pesquisas de intenção de voto, Lula, apesar de preso, segue como referência máxima do partido. A mais recente pesquisa do DataFolha atesta isso. De acordo com o levantamento, o ex-presidente receberia até 31% dos votos em primeiro turno, e venceria com larga vantagem em todas as simulações de segundo turno. Na cabeça das lideranças petistas, a manutenção do nome de Lula é uma realidade. Mesmo preso e não se enquadrando na Lei da Ficha Limpa, o ex-presidente pode ser apresentado como candidato do partido. No caso, o PT aguardaria o julgamento pelo TSE e apostaria até em uma vitória naquela Corte. A campanha, de todo modo, estaria nas ruas, angariando simpatizantes e votos. Esse cenário não pode ser descartado.

Hipótese 2 - o PT lança um "plano B": quadros no partido não faltam para a disputa presidencial. Fernando Haddad, Jaques Wagner, Patrus Ananias, até mesmo Celso Amorim, todos flertam com a possibilidade de serem "ungidos" por Lula e representarem o partido no pleito. No entanto, a questão está longe de ser simples. Por mais popular que seja Lula, não existe transferência automática de votos. Indo além, todos os potenciais candidatos precisam se tornar nacionalmente conhecidos em curtíssimo espaço de tempo. A pesquisa DataFolha, já citada aqui, mostra que Haddad e Wagner atingem, no máximo, 2% das intenções de voto. Esse nanismo eleitoral entrará no cálculo político da cúpula petista.

Hipótese 3 - o PT aposta na união da esquerda: nas últimas semanas, as pré-candidaturas de Manuela D'Ávila (PCdoB) e de Guilherme Boulos (PSOL) ganharam visibilidade nacional. A presença dos dois ao lado de Lula momentos antes da prisão do líder petista, bem como artigo assinado por ambos na Folha de São Paulo, indicam a existência de algum diálogo no campo da esquerda. No entanto, a consolidação de uma aliança mais ampla da esquerda não será fácil. O PSOL nasceu de uma dissidência do PT e até hoje há sequelas decorrentes do processo de criação do partido. Além disso, o PCdoB sempre operou como um satélite petista e essa aliança obrigaria os comunistas a mudar radicalmente seu modus operandi, operação nada trivial. Por fim, é difícil imaginar o PT abdicando da disputa para apoiar uma chapa na qual seria coadjuvante. Assim, essa união é pouco provável.

Hipótese 4 - o PT apoia Ciro Gomes: no momento, são remotas as chances de o PT apoiar a candidatura do neopedetista. De um lado apresenta-se um partido hegemônico por natureza, o PT; de outro, um político de personalidade forte e comportamento mercurial. Por mais que as agendas e projetos de ambos coincidam, os obstáculos à efetivação de uma aliança serão enormes. Uma chapa Ciro-PT (com um nome petista na vice) ocorrerá somente em último caso. 

É importante ressaltar que o pano de fundo da situação vigente é uma pré-campanha absolutamente fragmentada, com muitos nomes e poucos projetos apresentados ao eleitorado. Não apenas a esquerda, mas centro e direita igualmente buscam candidatos competitivos. No momento, a especulação comanda o jogo.

De concreto, sabe-se que o PT que emergirá das urnas será diferente daquele que hoje conhecemos. O partido será obrigado a fazer uma profunda autocrítica e, mais que isso, buscar uma reformulação real. Do contrário, cairá de vez na vala da irrelevância política.

 


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