Facebook nega, mas será a nova TV na briga eleitoral

autor Misto Brasília

Postado em 16/04/2018 12:02:55 - 11:27:00


Facebook baniu a plataforma Voxer, que replicava automaticamente posts do MBL/Reprodução

Pesquisador diz que bases de dados deverão ser utilizadas intensamente para conquistar votos

 

O escândalo que envolveu a exploração dos dados de 87 milhões de usuários do Facebook pela empresa Cambridge Analytica levou o fundador e presidente da plataforma, Mark Zuckerberg, a prestar explicações no Congresso dos EUA nesta semana. A utilização de dados de pessoas inscritas em um aplicativo de testes de personalidade com finalidade eleitoral teve impacto nas eleições que levaram o republicano Donald Trump à presidência do país, em 2016.

Aos senadores dos EUA, Zuckerberg prometeu "fazer de tudo" para garantir a integridade dos processos eleitorais que ocorrem neste ano pelo mundo, inclusive no Brasil. Entretanto, novas ferramentas com objetivo de interferência política parecem se desenvolver rapidamente. Há duas semanas, o Facebook baniu a plataforma Voxer, que replicava automaticamente posts do Movimento Brasil Livre (MBL) nas páginas de usuários que dessem consentimento para a ação.

Coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cultura da Universidade do Espírito Santo (Labic/UFES), o pesquisador Fábio Malini disse à agência DW que bases de dados deverão ser utilizadas intensamente para a conquista de votos nas eleições no Brasil em outubro. "As regras que estão estabelecidas permitem isso", alerta.

Ele também aponta que o impulsionamento de postagens pagas pode resultar em desigualdade de condições na disputa. "Quem tem condições para impulsionar posts são os partidos com mais dinheiro. Acaba sendo o novo tempo de TV", comenta.

“Na eleição brasileira, é possível que haja um uso gigantesco de banco de dados. Qualquer político pode pegar um banco de dados gigantesco, fazer um match (conexão) com o Facebook e pedir para direcionar o anúncio àquelas pessoas”.

“Ele segmenta, no banco de dados que comprou, qual é o gênero, faixa etária e renda do público que deseja atingir. É feito um match no Facebook, onde deverão estar 80% dessas pessoas, e a plataforma direciona. Ou seja, o direcionamento não precisa ser em função do painel que o Facebook dá, mas em cima das ferramentas que esse usuário tem.”

 


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