BC capturado e “bancos sujos na praça”

autor Galba Velloso

Postado em 16/04/2018 07:40:06 - 07:26:00


Sede do Banco Central que hoje só serviria aos interesses dos bancos/Arquivo/EBC

Dessa promiscuidade em que o corpo diretivo são dos bancos, resultam juros estratosféricos

 

Como já se vai longe o tempo de grandes presidentes do BC, é preciso descrever o Banco Central tal como ele é hoje, uma Agência Reguladora capturada por aqueles que deveria fiscalizar, as Instituições Financeiras.

Curioso que muitos insistam em referir-se aos devedores como sendo “de nome sujo na praça”.

Nome sujo têm e sempre tiveram os agiotas, não as suas vítimas, hoje alcançando o número de dezenas de milhões de brasileiros.

Estariam errados os milhões de cidadãos que já não têm como pagar aos agiotas, ou condenáveis seriam os que praticam a agiotagem?

Sendo óbvia a responsabilidade dos que praticam ativa e dolosamente o ilícito, resta ainda um terceiro personagem, o Banco Central do Brasil, capturado pela área privada.

Com efeito, os diretores do Banco Central provêm dos bancos particulares, e para lá retornam quando perdem a posição no BC, em uma mobilidade que é garantida pela fidelidade dos diretores não à República, mas aos antigos patrões das casas bancárias particulares, aos quais têm de agradar todo o tempo, para não perder o acolhimento que se faça necessário no futuro.

Dessa promiscuidade em que o corpo diretivo do BC é fiel aos patrões que integram a banca, e não ao governo, resultam juros estratosféricos, em que supostas baixas nunca atingem os tomadores na ponta.

Aliás, mesmo quando o Banco Central encena a baixa das taxas a serem praticadas, os bancos continuam a proceder como querem e como se o BC não existisse, até porque nenhuma fiscalização realiza e nenhuma medida punitiva é adotada.

Mais grave do que tudo, como o governo é o maior devedor dos bancos particulares, quando o Banco Central, órgão seu, sobe os juros, aumenta brutalmente o montante dos juros a serem pagos pelo próprio governo a seus credores.

O governo brasileiro é o único devedor do mundo que aumenta ele próprio os juros que deve pagar a seus credores.

As razões para isso têm necessariamente que interessar à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e à Justiça Federal, para que se apurem e, se for o caso, se punam os atos praticados, verificada a sua motivação.

Quanto às entidades que congregam os bancos, se depender delas os juros jamais baixarão de fato, pois alegarão sempre a necessidade de prazo para a superação de um imaginário obstáculo, com o que continuarão extorquindo o Brasil e os brasileiros indefinidamente.

Esse pagamento de juros absurdos pelo governo, chamado de serviço quando deveria ser alcunhado de escravidão da dívida, anula qualquer economia que o governa faça em outro setor, tornando inútil reforma trabalhista e previdenciária, pois o que o Brasil realmente necessita é de uma reforma bancária, com juros que tenham pelo menos como teto a média daqueles praticados na América, na Europa e na Ásia, com o que ninguém poderá dizer estar sendo vítima de calote.

 


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