As rosas de abril

autor Galba Velloso

Postado em 09/04/2018 08:06:43 - 08:04:00


Ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal/Arquivo/Divulgação/STF

Bem-vindo o empoderamento feminino, sem o qual a sessão do Supremo poderia virar tortura de espinhos

Como diriam dois poetas, de repente, não mais que de repente, floresceram nesta primavera, precoce ou tardia, porque outonal, as rosas plantadas pelo gênio de Cartola, exalando o perfume que é delas próprias e é sua forma de falar - os votos das ministras Rosa Weber e Carmen Lúcia, precedidas do pronunciamento de Raquel Dodge. 

Bem-vindo este empoderamento feminino, sem o qual a sessão do Supremo poderia se transformar mais uma vez em tortura de espinhos, até pela falta de cavalheirismo dos que tentaram ofuscar o brilho de suas colegas. 

Felizmente para nós, as rosas tão oportunamente advindas tiveram a cerca-las, como ramagem de louros a lhes premiar o talento, a coragem e o mérito, os votos de Edson Fachin, hoje uma unanimidade no respeito e admiração de seus compatriotas de bem, bem como o preciso e cirúrgico voto de Alexandre de Moraes, seguido pelo de Luís Roberto Barroso, que ao longo de sua duração me transportou para as escolas italianas mais refinadas, não se sabendo se merecia maior admiração o conteúdo ou a forma, tal a densidade do primeiro e a elegância desta última,  secundado pelo do ministro Fux, com o brilho de sempre. 

O voto de Luís Roberto Barroso ficará certamente nos anais do Supremo como um dos seus belos momentos, referencia expressiva da capacidade produtiva da inteligência brasileira. 

Ces chevaliers, sans peur et sans reproche, integrando o bouquet já formado pelas atitudes de suas ilustres colegas, fizeram com que Portugal, tão presente nos debates, os constituísse em cravos vivazes, que ao som imaginário de “Grândola, Vila Morena” consumaram uma pacífica revolução pelo voto, peculiar, porque contra aqueles que embora aparentemente fora do poder, na verdade continuam a exercê-lo por suas ligações espúrias, sob um governo que na verdade é um tigre de papel, mera fachada da força dos que verdadeiramente comandam. 

Por um breve momento, as ministras brindaram a vida nacional com a elegância de Chanel N˚ 5, que sendo sublime, há de inebriar e inibir aqueles que pretendem mudar nesta quarta-feira a jurisprudência aplicada ainda na quarta-feira passada.


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