Perfil - Geraldo Alckmin

autor André Pereira Cesar

Postado em 27/03/2018 08:54:22 - 08:27:00


Governador Geraldo Alckmin, pré-candidato a Presidente, no Fórum Mundial da Água/Divulgação/SP

O que pensa Alckmin? Ele defende a privatização de estatais, maior rigor com os gastos públicos

 

Enquanto diversos partidos negociam a filiação de nomes com potencial para disputar a sucessão, o PSDB, em tese, tem seu "candidato natural". O governador Geraldo Alckmin já está em campo negociando apoios para o pleito presidencial de outubro.

Nascido em Pindamonhangaba (SP) em novembro de 1952, Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é médico e professor universitário. Ingressou na política ainda jovem. Pelo MDB, depois PMDB, foi vereador, prefeito e deputado estadual. Também elegeu-se deputado federal por dois mandatos, entre 1987 e 1995. Foi, portanto, Constituinte.

Alckmin foi um dos fundadores do PSDB, em 1988. Bastante próximo de Mário Covas, foi vice-governador entre 1995 e 2001. Nesse ano, assumiu a titularidade do governo paulista, em função do falecimento de Covas. Ele ocupou o posto até 2006 e retornou em 2011. Em 2017, foi alçado ao cargo de presidente nacional do PSDB.

Apesar de ter sua imagem fortemente vinculada ao Executivo, Alckmin teve atuação de destaque no Congresso Nacional. Quando deputado federal, foi o autor do projeto que se converteu no Código de Defesa do Consumidor. Também relatou a Lei de Benefícios da Previdência Social e o projeto que disciplina a doação de órgãos para transplantes.

Ainda no âmbito do governo paulista, quando vice de Covas comandou o Programa Estadual de Desestatização (PED), que previa a privatização de diversas empresas estatais e a concessão de trechos de ferrovias e rodovias para a iniciativa privada. Nessa época, o Banespa foi privatizado.

A história política de Alckmin não registra somente êxitos, porém. Foi derrotado por duas vezes para a prefeitura de São Paulo (2000 e 2008) e, em 2006, sofreu seu maior revés - perdeu a eleição presidencial para Lula.

As eleições de 2006 marcam um ponto importante na carreira política de Alckmin. Lula e o PT estavam pressionados pelo escândalo do Mensalão e o tucano surgiu como alternativa da centro-direita para retomar o poder. Sua campanha, no entanto, foi pessimamente conduzida. Entre o primeiro e o segundo turnos o nome "Alckmin" foi trocado por "Geraldo", o que confundiu parcela significativa do eleitorado. Somado a um programa confuso e pouco definido, o resultado foi o esperado - Alckmin recebeu menos votos no segundo turno, em comparação com o primeiro.

A derrotada campanha presidencial, por sinal, consolidou o apelido "picolé de chuchu", que o acompanha desde então. Adversários, e mesmo aliados, criticam duramente a falta de carisma do tucano. Para muitos, seus êxitos são fruto de sorte e também da lembrança de seus tempos ao lado de Covas.

O que pensa Alckmin? Ele defende a privatização de estatais, maior rigor com os gastos públicos e a manutenção de taxas mais elevadas dos juros para conter a inflação, caso necessário. Seu guru na área econômica é Pérsio Arida, um dos formuladores do Plano Real. O mercado financeiro agradece.

No plano social, ele procura recuperar o discurso original do PSDB, com programas voltados para a população de mais baixa renda. Nesse quesito, tem tido escasso sucesso, até o momento.

O que pode atrapalhar seu projeto eleitoral? São muitos os obstáculos à candidatura Alckmin. As supostas relações com grupos conservadores da Igreja Católica (Opus Dei) sempre foram uma pedra no sapato do tucano. Denúncias contra o PSDB paulista envolvendo desvio de dinheiro público e pagamento de propina também projetam suas sombras. Recentemente, um cunhado de Alckmin foi capa de revista de circulação nacional, em matéria que insinuava ser ele uma espécie de testa de ferro do governador.

Quando se avalia o Alckmin gestor em São Paulo, também se encontram pontos negativos. Ao longo de suas administrações, o estado viveu uma grave crise hídrica, com impacto direto sobre famílias e empresas; a segurança pública sofreu sensível piora, com o aumento do poder de grupos organizados, como o PCC; e a saúde convive há tempos com a redução de recursos e a consequente precarização de seus serviços. Como seria o Alckmin gestor federal?


Outros problemas se somam a esses. Ele é pouco conhecido nas regiões Norte e Nordeste do país, apesar de já ter disputado uma eleição presidencial. Resistências dentro de seu próprio partido precisam ser superadas. A "questão paulista" igualmente precisará ser resolvida - Alckmin apoiará para sua própria sucessão o candidato tucano João Dória ou irá com o atual vice, Márcio França (PSB)? É impossível manter um pé em cada canoa, e qualquer posição que tome em relação ao apoio gerará ruídos.

Por fim, a eventual candidatura Alckmin nascerá em meio à crise vivida pelo PSDB nacional, crise essa que tem como elemento central o senador Aécio Neves. Pesquisas de opinião pública indicam que boa parte do eleitorado busca um candidato novo - e "novo" é exatamente o contrário do que Alckmin representa hoje.

 


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