Marielle e a Multidão

autor Maya Félix

Postado em 16/03/2018 07:42:07 - 07:32:00


Multidão no Rio de Janeiro protestou contra a morte de Marielle e a violência/Guilherme Prado/PSol

Recebemos uma herança sangrenta, um país quebrado, quase todo dominado pelo narcotráfico

Eu estou indignada com o assassinato da vereadora Marielle, no Rio de Janeiro.  Todo atentado à vida é um insulto à humanidade. É de se lamentar que mais um ser humano se vá na violência hemorrágica do Rio. Não por ser negra, não por ser mulher, não por ser jovem. Acaso fosse branco, homem e velho, seria menos lamentável? Morreria pela metade? Toda vida é um milagre.

Hoje vi, na televisão, o jornal. E me dei conta de que algumas mortes parecem ser mais importantes que outras. No dia dois de fevereiro de 2018, o Jornal do Brasil noticiou que o Rio já havia registrado 16 policiais mortos e 34 feridos neste ano. O site G1 diz que desde o início de 2018, no Rio, a cada 54 horas um policial é assassinado. No dia três de fevereiro, o site IG noticiou que “Rio tem ao menos sete mortos e oito feridos em tiroteios em menos de 24 horas”.

Eu poderia ainda noticiar muitos outros casos de violência com mortes. Desde que o ano começou, o Rio tem sido difícil. O Brasil. Recebemos uma herança sangrenta, um país quebrado, quase todo dominado pelo narcotráfico e pelo crime organizado.

De norte a sul, a violência banalizou-se. Mas, pela primeira vez, vi uma grande manifestação contra um assassinato na cidade do Rio de Janeiro.  E é aí que eu não consigo me calar.

A indignação não pode ser seletiva. Deveria haver uma manifestação a cada policial militar morto pelo tráfico. Cada criança assassinada por bala perdida deveria encontrar um ator global que lhe fosse, ainda que na morte, solidário.

O cidadão comum, o pobre coitado que estava voltando do trabalho: em seus enterros, atos públicos. Mesmo o político do partido careta. O político reaça.

Cada um deveria receber do povo a solidariedade que Marielle recebeu hoje. Está tudo certo, vamos protestar contra o desmonte do estado fluminense. O tráfico, a milícia, a ausência de comando. Mas não sejamos seletivos.

Não dói só no PSOL. Não morreu Marielle apenas. Vamos chorar por todos.


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