O perfil da Presidência

autor Galba Velloso

Postado em 09/01/2018 13:51:06 - 13:41:00


Temer perdeu as condições de liderar a Nação/Arquivo/Reprodução

A reputação ilibada é uma posição superior que transcende o simples debate entre ser ou não ser réu

“A história julgará severamente o chefe do Governo. E sabemos disso porque somos nós que vamos escrevê-la.” (Winston Churchill) 

Depois de este Misto Brasília ter abordado com absoluta felicidade o perfil dos presidenciáveis, cumpre, já que o perfil do atual presidente não é estimável, lembrar qual é o Perfil da Presidência, como instituição acima de seus ocupantes ou pretendentes, a qual se baseia na reputação ilibada, a que devem se submeter candidatos e exercentes do cargo mais alto.

A reputação ilibada é uma posição superior que transcende o simples debate entre ser ou não ser réu, ser ou não ser condenado.

Ilibado é aquele que não é “falado”, no sentido popular do termo, “mal falado”.

Ora, se para ser ministro do Supremo Tribunal Federal é preciso notório saber jurídico e reputação ilibada, que não é dispensada como ocorre com o diploma de advogado que em tal caso, vejam, não é exigido, percebe-se que a Constituição Federal considera mais relevante a reputação ilibada do que a formação universitária.

Já houve mesmo o caso de um médico nomeado ministro do STF, coisa que poucos sabem.

Assim, se os magistrados da Suprema Corte têm que ter reputação ilibada, ou seja, não discutida, com mais razão o Presidente da República, Supremo Magistrado da Nação, não pode sê-lo se não atender tal requisito, o da reputação ilibada em questões morais, visto como, o questionamento político, este é próprio do seu cargo.

O atual presidente da República, como seus dois antecessores, é um dos exercentes do cargo mais distante da reputação ilibada e mais próximo das denúncias, das investigações e de uma entourage composta por ministros igualmente envolvidos em episódios que incursionam pela área penal.

Mais grave do que as denúncias contra Temer, são os meios de defesa que ele utiliza, comprando votos com cargos e verbas, como também faz para aprovar reformas cuja tramitação viciosa compromete o espírito renovador que deveriam ter.

Os meios utilizados para sua defesa na verdade justificam uma nova denúncia.

Curioso é que a própria mídia, após tanto tempo desse procedimento de corrupção ativa verificado nos últimos governos e no atual, habituou-se a noticiá-lo como se fosse simples articulação política, o que equivale a considerar que explodir um caixa eletrônico constitui uma forma normal de sacar dinheiro.

Temer, portanto, independentemente de qualquer juiz ou sentença, perdeu as condições de liderar a Nação e deveria ser afastado de imediato, mesmo havendo eleições este ano.

Perdeu a noção do bem e do mal, ou pior, optou pelo mal. Perdeu o pudor.

Neste ambiente que contamina a chamada base parlamentar e toda a administração, inclusive instituições financeiras como o Banco do Brasil com um ex-presidente preso e a CEF com 12 vice-presidentes (?!) sob suspeita, a presença de Temer tem um alto custo para o Brasil, e a suposta economia que ele diz fazer com cortes em setores essenciais, perde-se pela compra de apoio em proporções que igualam os episódios que levaram ao impeachment e à desmoralização de seus dois antecessores.


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