Perfil - Manuela d'Ávila

autor André Pereira Cesar

Postado em 04/01/2018 20:03:51 - 19:50:00


O programa da pré-candidata Manuela ainda não é conhecido/Arquivo/NotíciasBahia

Na Câmara, presidiu a Comissão de Direitos Humanos, quando pediu a saída de Bolsonaro do colegiado

Nas sete eleições presidenciais ocorridas desde 1989, o PT, no campo da esquerda, foi o partido que sempre apresentou as candidaturas mais competitivas. Ao longo desse percurso, os petistas contaram em todos os momentos com o apoio formal do PCdoB. Agora, os comunistas parecem dispostos a sair da posição de satélites do petismo e lançar uma candidatura própria. A gaúcha Manuela d'Ávila deverá ser a cabeça de chapa.

Nascida em Porto Alegre (RS) em agosto de 1981, Manuela Pinto Vieira d'Ávila é jornalista. Apesar de jovem, ela tem boa experiência na política. Foi vereadora na capital gaúcha, deputada federal por dois mandatos e, hoje, é deputada estadual no Rio Grande do Sul.

A pré-candidata teve seus primeiros contatos na política estudantil. Ingressou em 1999 na União da Juventude Socialista, ligada ao PCdoB, e mais tarde chegou à vice-presidência da UNE.

Sua origem explica e tem grande influência no dia a dia da política da pré-candidata. Manuela sempre focou suas ações e projetos em questões de cunho social, em especial educação, juventude e direitos humanos. Na Câmara dos Deputados, presidiu a Comissão de Direitos Humanos, quando pediu a saída do deputado Jair Bolsonaro do colegiado. O parlamentar, por sinal, travou alguns debates mais fortes com a deputada.

Manuela também se candidatou, sem sucesso, a cargos do Executivo. Disputou a prefeitura de Porto Alegre por duas vezes, em 2008 e 2012. Em 2010, foi cotada para assumir o Ministério do Esporte, mas a cúpula do PCdoB preferiu que ela continuasse com seu mandato de deputada federal.

O programa da pré-candidata ainda não é conhecido, mas imagina-se que seja o inverso da agenda dita reformista do governo Temer. Nada de privatizações ou concessões, e a revisão em programas já em curso.

Os obstáculos à candidatura do PCdoB são muitos e similares à boa parte de seus potenciais adversários. Reduzido tempo de campanha em rádio e televisão, pouco dinheiro em caixa, estrutura limitada e um inevitável preconceito de parcela significativa do eleitorado com uma agenda "comunista". Nem mesmo o inegável carisma de Manuela parece capaz de reverter esse quadro.

Os comunistas podem bancar uma candidatura própria pensando em ampliar a bancada federal. Um aumento no número de deputados já significaria um importante ganho para a legenda. De todo modo, caso o PCdoB confirme a disposição de lançar um nome próprio, será um evidente sinal de que a hegemonia petista na esquerda está em xeque.


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