Em busca do tempo perdido

autor André Pereira Cesar

Postado em 05/12/2017 07:25:50 - 07:20:00


As contas ainda não fecham para aprovar a reforma da Previdência na Câmara/Arquivo

Dos 308 votos mínimos necessários para aprovar a PEC, o governo tem garantidos pouco mais de 250

Não, não se trata do clássico e caudaloso romance do francês Marcel Proust. Falamos aqui do tempo perdido pelo governo com a crise política dos últimos meses. Agora, tenta-se votar a todo custo a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

O Planalto faz e refaz as contas e o resultado é claro: ainda faltam votos. Por conta disso, governo e líderes aliados iniciaram uma blitzkrieg para ganhar o apoio dos parlamentares que resistem a apoiar a proposta. Desde domingo último, reuniões e planilhas dominam a agenda do presidente Temer, que inclusive cancelou uma viagem a Porto Alegre para participar das negociações.

Dos 308 votos mínimos necessários para aprovar a PEC, o governo tem garantidos hoje pouco mais de 250. Integrantes do Centrão e do PSDB, em especial, estão entre os infiéis.

No Centrão, há o medo de se desagradar o eleitorado com uma matéria impopular como as mudanças nas regras previdenciárias. Faltando menos de um ano para as eleições, um sinal amarelo foi aceso entre esses deputados.

No PSDB, a situação é outra. O partido segue dividido e a crise interna, iniciada semanas atrás, ainda não foi solucionada. A "solução Alckmin" é apenas um paliativo que não acaba em definitivo com a situação.

O calendário também não ajuda o governo. O ano Legislativo aproxima-se rapidamente do final e, a partir de janeiro próximo, os corações e mentes do mundo político estarão voltados para as eleições.

Assim, os próximos dias são cruciais para a definição do quadro. O Planalto não arriscará entrar em uma votação com reais chances de derrota. Para Temer, uma eventual rejeição da PEC da Previdência seria o pior dos mundos. Um recuo tático, nesse momento, talvez se torne necessário.


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