Temer cede ao Centrão e tira amigo do governo

autor Gilmar Correa

Postado em 21/11/2017 17:09:57 - 16:59:00


Deputado Carlos Marun deve ser confirmado ministro pelo Planalto/Arquivo/EBC

O presidente do Sesi não será mais ministro. Em seu lugar assume o deputado Carlos Marun

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) foi cumprimentado nesta tarde pelo deputado André Moura (PSC-SE) no cafezinho do plenário da Câmara. Foram na verdade dois cumprimentos, o primeiro pelo aniversário do colega e o segundo por ter aceito o convite para assumir a Secretaria de Governo no lugar do também deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

Moura é um dos lugares-tenentes do Centrão e por isso estava eufórico. Numa só manobra, o movimento de centro da Câmara tirou da Secretaria o tucano baiano, como também emplacou um representante da própria classe.

A indicação de Marun vai além de uma vitória do Centrão. É o resultado de um embate nos bastidores do próprio PMDB. Na última hora, o presidente do Conselho do Sesi, o piauiense João Henrique de Almeida Souza, foi descartado da nomeação certa para o ministério.

Conforme o Misto Brasília cravou na noite de ontem (20), João Henrique seria o ministro, mas nesta manhã a pressão aumentou sobre o presidente Michel Temer, que cedeu. Almoçou com o amigo João Henrique e disse que não poderia nomeá-lo por força maior.

Nos bastidores, comenta-se que o amigo de Temer pouco conhecida da realidade parlamentar e iria atrapalhar mais do que ajudar. Não é bem assim, pois João Henrique foi ministro no governo FHC e presidente dos Correios no governo Lula. De política deve entender um pouco. Em resumo: Temer é freguês do Centrão.

Marun ainda não foi confirmado oficialmente no cargo. Assim como João Henrique (que planeja concorrer ao governo do Piauí em 2018), terá que abdicar de concorrer nas próximas eleições.

Marun poderia não voltar à Câmara por conta da defesa intransigente do ex-deputado preso Eduardo Cunha e de integrar, também, a tropa de choque com os olhos vendados nas propostas impopulares do governo, como a reforma previdenciária, cortes dos gastos sociais e congelamento dos salários dos servidores federais.

O Palácio do Planalto não confirmou a indicação, o que deve acontecer nesta quarta. A única certeza é a saída de Imbassahy da Secretaria de Governo.


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