Cientistas divulgam novo alerta

autor Misto Brasília

Postado em 14/11/2017 08:19:35 - 08:08:00


Papagaio-verdadeiro é uma das espécies ameaçadas de desaparecer/Arquivo

Em breve será tarde demais para reverter esta tendência perigosa, afirmam em documento

Mais de 15 mil cientistas de 184 países publicaram um alerta sobre as ameaças ao meio ambiente. A declaração é o segundo aviso dos pesquisadores. O primeiro foi publicado em 1992 e assinado por 1,7 mil especialistas, incluindo a maioria dos laureados com prêmios Nobel então ainda vivos.

Na carta, intitulada "Alerta dos cientistas do mundo para a Humanidade: segundo aviso", os pesquisadores destacam que, nos últimos 25 anos, todas as ameaças para o meio ambiente cresceram de forma extrema. O texto cita, particularmente, o aumento de 35% da população mundial desde 1992 e destaca a redução de 29% do número de mamíferos, répteis, anfíbios, aves e peixes.

"Um segundo aviso está sendo feito à Humanidade", diz o texto. "Em breve será tarde demais para reverter esta tendência perigosa."

Além do aumento populacional, o texto cita ainda como ameaças o aquecimento global, as constantes emissões de CO2 geradas pelo uso de combustíveis fósseis, as práticas agrícolas não sustentáveis, o desmatamento, a falta de água doce, a perda de vida marinha e as crescentes zonas mortas dos oceanos.

"Desencadeamos um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, em que muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas ou, ao menos, estar fadadas à extinção até o final deste século", afirma o alerta, que aponta essa tendência como resultado das atividades humanas.

O alerta vale também para a perda de quase 120,4 milhões de hectares de floresta, convertidos na maior parte em terrenos agrícolas, e para um aumento acentuado das emissões de dióxido de carbono e da temperatura média do planeta.

Thomas Newsom, professor universitário australiano e um dos autores da declaração, diz que os signatários do aviso avaliaram a evolução da situação nas últimas duas décadas e as respostas humanas, com base nos dados oficiais existentes.

Os cientistas salientam, no entanto, que ainda é possível reverter essas tendências para que os ecossistemas recuperem a sustentabilidade. A carta destaca 13 medidas a serem seguidas para promover uma mudança. Uma delas é a ampliação de programas de planejamento familiar com acesso a métodos contraceptivos.

Outras medidas incluem o incentivo de uma dieta mais baseada em plantas e considerando as energias renováveis, além da eliminação de subsídios para combustíveis fósseis. A carta propõe ainda a correção da desigualdade de renda e dos preços, que deveriam levar em conta os custos reais que os padrões de consumo impõem ao meio ambiente.

Os cientistas recomendam também a criação de reservas naturais terrestres e marinhas, leis mais fortes contra a caça furtiva e mais restrições ao comércio de produtos da vida selvagem. (Da DW)


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