Perfil - Henrique Meirelles

autor André Pereira Cesar

Postado em 13/11/2017 06:55:07 - 06:47:00


Henrique Meirelles sempre trabalhou com o sistema financeiro/Arquivo/Divulgação

Foi filiado ao PSDB, pelo qual se elegeu deputado federal em 2002. Também passou pelo PMDB

"E uma candidatura Meirelles, o que você acha?", perguntou recentemente o presidente de uma multinacional a um interlocutor que acompanha os bastidores da política. O questionamento é um exemplo do interesse e da ansiedade provocados pelo eventual ingresso de Henrique Meirelles no tabuleiro sucessório. O titular da Fazenda sabe disso e se aproveita desses ventos.

Claro está que a candidatura de Meirelles demandará um sofisticado trabalho de engenharia política. Em primeiro lugar, será necessário construir uma imagem pública para o candidato, que vá além de seu público atual - essa abordagem deverá se dar, em especial, junto às classes C, D e E. Além disso, um discurso de campanha forte precisará ser elaborado. Por fim, o estabelecimento de alianças que lhe deem palanques e tempo de televisão e depois garantam sua governabilidade. Essas tarefas são superpostas, dado o escasso tempo daqui até as eleições.

Tarefas difíceis, mas que não assustam Meirelles. Nascido no final de agosto de 1945 em Anápolis (GO), a política está em seu DNA. Seu avô foi prefeito de Anápolis por três vezes e seu pai foi interventor federal em Goiás durante um curto espaço de tempo. O próprio Meirelles foi um estudante politizado. No colegial, em Goiânia, participou de movimentos grevistas contra o reajuste dos preços de passagens de ônibus e de material escolar.

A política também está presente na maturidade. Foi filiado ao PSDB, pelo qual se elegeu deputado federal em 2002. Também passou pelo PMDB, quando flertou com a vice-presidência da República na chapa encabeçada por Dilma Rousseff em 2010. Desde 2011 integra as fileiras do PSD, partido de Gilberto Kassab. Comandou o Banco Central durante os dois mandatos de Lula e, desde maio de 2016, é ministro da Fazenda.

Destaca-se, porém, a vida de Meirelles no mundo das finanças. Formado em engenharia pela Escola Politécnica da USP (1972), logo ingressou no BankBoston. Nessa instituição, galgou postos até chegar à presidência mundial. Desse período vem o respeito da comunidade financeira internacional em relação a seu nome. Trata-se de um importante ativo, inclusive político.

Sua participação no Conselho Administrativo da J & F, holding dos irmãos Batista que controla diversas empresas, é um problema em sua carreira. Apesar de afirmar que sua função era tratar da criação do Banco Original (digital), seus adversários certamente explorarão suas relações com os polêmicos irmãos empresários. A questão tem potencial explosivo em campanha.

Na eventual disputa pela presidência (e na ainda mais eventual gestão no Planalto), Meirelles terá como foco principal as reformas estruturais, em especial a previdenciária e a tributária. No mercado há o temor, no entanto, de que ele ceda aos políticos e ao eleitorado para garantir sua eleição e sua posterior administração. Reformas desidratadas não são do interesse dos hoje potenciais apoiadores de Meirelles.

Outra possibilidade é o ministro da Fazenda entrar como candidato a vice em uma chapa de centro. Essa hipótese, à princípio interessante, embute um risco - na condição de condutor "natural" da economia, Meirelles certamente entraria em conflito com o presidente, com resultados danosos para a política e a economia.

Assim, Henrique Meirelles apresenta-se como um potencial pré-candidato à sucessão presidencial. Em um cenário fragmentado e incerto, seu nome, hoje, não pode ser descartado. De imediato, ele precisa melhorar seu desempenho ainda pífio nas pesquisas de intenção de voto. E ser mais simpático com o mundo parlamentar, que em geral reclama de sua frieza.


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