Fumus boni juris

autor Vitória Colvara

Postado em 10/11/2017 13:51:13 - 13:44:00


Advogado é preso em Brasília por exercer tráfico de influência/Arquivo/Oratória

Onde há fumaça há fogo e se há quem venda, há quem compre e fica bem difícil eleger um culpado

Eis um termo jurídico que é utilizado até mesmo pelos estudantes de primeiros períodos. Não sei se pelo encantamento típico do começo de qualquer relacionamento ou se pelo status que o Direito até hoje carrega na nossa sociedade.

A verdade é que antes de aprendermos sobre os princípios e valores éticos, somos submetidos a uma verdadeira mudança de comportamento que começa no guarda-roupa e culmina na necessidade de utilizar um linguajar rebuscado, que na grande maioria dos casos, nada tem a ver com o verdadeiro conhecimento da gramática.

Se antes escolhíamos o nosso curso pela vocação, hoje somos matriculados, ainda na adolescência em uma das inúmeras faculdades de direito espalhadas pelo país. “Dá dinheiro” “dá status” “estabilidade” “concursos públicos”. Nada contra nenhum desses objetivos colocados entre aspas, mas vincular isso a um curso que dura em média cinco anos, é uma aberração brasileira sem precedentes. E que justifica muitos dos problemas políticos que temos vivenciado atualmente.

E tendo isso em vista, o sujeito conclui a graduação, se apega ao termo em latim, e sai por aí, vendendo a fumaça do bom direito, se tornando charlatão. Estou me referindo ao caso do advogado preso esta manhã por exercer tráfico de influência nos tribunais superiores. Longe de mim defender o colega, pelo simples fato de termos a mesma profissão. Mas onde há fumaça há fogo e se há quem venda é porque há quem compre. Todo o sistema está errado e fica bem difícil eleger só um culpado.

Acredito que no desenrolar dos fatos não haverá nada de novo sobre o sol. A figura do advogado, já amplamente difamada na mídia, só ganha mais um representante negativo. Somos mentirosos, corruptos e ladrões.

Os tribunais superiores e seus juízes togados, pelo povo aclamado, continuarão exercendo suas funções e vendendo suas sentenças, argumentos e decisões. E o magistrado que cumpre minimamente sua atribuição, recebe título honoris causa, é tratado como figurão e ovacionado pelos facebookianos de plantão.

Sempre defenderei a advocacia clara, honesta e limpa. Mas infelizmente, a justiça não depende só da gente. E para cada profissional correto, honesto e competente, aparecem dezenas de típicos delinquentes.


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