O Centrão e a questão da segurança pública

autor André Pereira Cesar

Postado em 10/11/2017 07:03:43 - 06:55:00


Centrão domina o plenário da Câmara na votação do pacote da segurança/Luís Macedo/Ag Câmara

Para o Planalto, a convivência com o Centrão, assim o espaço para negociação é pequeno

Enquanto o governo luta para votar a reforma da Previdência e o PSDB agoniza em praça pública, o Centrão se consolida como importante força política no Congresso Nacional.

Integrante da base aliada, o Centrão tem diversos membros que são hoje lideranças emergentes entre os parlamentares. Essa capacidade de liderança fica mais evidente a cada dia.

Exemplo claro disso foi o processo de discussão e votação do chamado "pacote de segurança pública", ocorrido ao longo da semana. Coordenada em boa parte por integrantes do Centrão, uma série de medidas foi aprovada sem maiores sustos.

Entre essas medidas destacam-se o aumento de pena para o crime de estupro coletivo, o fim do "saidão" de presos, aumento de pena para assassinos de policiais e criação de um cadastro de pessoas desaparecidas.

Uma agenda dura e rigorosa, como se vê. Sem o posicionamento do Centrão, as chances de êxito dessas votações seriam reduzidas.

Para o Planalto, a convivência com o Centrão é ambígua. De um lado, seus integrantes são fundamentais para a implementação de uma agenda mínima do governo - o fim do processo contra o presidente Temer é o exemplo extremo disso. De outro lado, o núcleo duro das reformas, a começar pela previdenciária, sofre forte resistência entre os membros do Centrão. Há aí pouquíssimo espaço para negociação.

Esse é o dilema enfrentado pelo Planalto: como convencer o Centrão de que as reformas são urgentes e não devem ser postergadas? 

Assim como o Centrão original, criado durante a Constituinte, o atual grupo mostra força e coesão em suas ações. Resta saber se essa força é efêmera ou veio para ficar.


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