FHC versus FHC

autor Galba Velloso

Postado em 07/11/2017 18:32:15 - 18:24:00


Fernando Henrique e desculpas pressurosas e indulgência plenária/Arquivo/Divulgação/PSDB

É triste quando numa crise um doutor honoris causa proponha que se repita contra o povo

Se há alguém que deve ficar irritado com seu último artigo é o próprio FHC, que deixou cair as vestes doutorais para exibir um esboço de rasteira política no eleitorado, muito semelhante ao estelionato eleitoral do último pleito para Presidente, estelionato de ambas as partes, já que os candidatos se revelaram pelo mesmo estilo e pelo comportamento nas relações com empresas e mundo financeiro. 

Com efeito, FHC entende que se o PT e o PMDB estão irremediavelmente condenados aos olhos do eleitorado, pelo que muitos de seus integrantes praticaram, no que respeita ao PSDB, Fernando Henrique entende que a simples repetição dos programas televisivos de sua agremiação, desculpando-se e apresentando um mea culpa à moda de Tasso Jereissati é suficiente em relação ao PSDB para apagar tudo que aconteceu. 

Ou seja, aos outros, condenação perpétua. Aos seus correligionários, desculpas pressurosas e indulgência plenária, pelo fascínio das plumas que são menos de tucanos do que de um cruzamento de pavões com aves do paraíso, pousados nas torres altas da Avenida Paulista, contemplando a imaginária honra que concedem ao Brasil pelo privilégio de poder votar neles. 

Sem esquecer a devida consideração com aquele que quase os levou à Presidência da República, como se também o PT estivesse na contingência de homenagear sua candidata de então. 

Falece ao ex-presidente autoridade para dissertar sobre a gênese, o desenrolar e o desfecho dos acontecimentos que nos acometeram como tragédia sem precedentes, pois os primeiros sinais do apocalipse surgiram com a reeleição por ele proposta, aprovada sabe Deus como e que retirou do Presidente a condição preciosa de homem sem futuro, vale dizer, sem outras aspirações após o mandato presidencial e por isso habilitado para agir sem os constrangimentos do balcão de negócios ou da própria ambição presidencial. 

É triste quando em meio a uma crise destas dimensões um doutor honoris causa proponha que se repita em 2018, contra o povo, o que se perpetrou em 2010 e especialmente em 2014, estelionatos eleitorais que levaram o País a supor que podia escolher entre dois caminhos, quando na verdade se lhe oferecia apenas escolher entre 6 e meia dúzia. 

Onde o engodo? 

Simplesmente no fato de que depois de ocupar integralmente o governo Temer, cujas virtudes a justiça criminal tem proclamado, o ex-presidente, mais uma vez armado em Pai da Pátria, propõe um desembarque do governo para seu partido, o qual, tendo auferido todas as benesses enquanto o governo podia ter esse nome, possa agora auferir também as benesses eleitorais decorrentes do voto do povo brasileiro. 

A Academia não tem apenas responsabilidades científicas, doutrinárias ou filosóficas, mas também aquelas de ordem cívica, que FHC tem obrigação de cumprir para que na sua biografia não conste o mesmo rombo que seus adversários produziram na história do País.


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