Permanência de Temer constrange

autor Galba Velloso

Postado em 26/10/2017 06:54:17 - 06:44:00


Temer mostra por gesto que está firme após exames médicos/Divulgação/PR

Em lugar de valer-se de argumentos jurídicos e fáticos, adotou um procedimento de cooptação

Não se trata de considerar livramentos obtidos no âmbito institucional, mas sim a condenação moral, já quase unânime, de todo o País, a um governo em que o Presidente e todos os seus homens de confiança são considerados suspeitos.

Mais grave do que a denúncia apresentada contra Temer e examinada hoje pela Câmara dos Deputados, é a defesa que ele fez de si mesmo.

Em lugar de valer-se de argumentos jurídicos e fáticos, adotou um procedimento de cooptação de parlamentares, pela troca de favores, concessão de verbas e nomeações, num estilo que consubstancia as razões para uma terceira denúncia.

Além desse custo moral da permanência de Temer, é de se levar em conta o custo econômico e financeiro do prolongamento de sua agonia política, que custa em favores uma boa parte do que a equipe econômica busca economizar com o corte de gastos.

Todo o procedimento adotado pelo Palácio do Planalto caracteriza desvio de finalidade, pois o motivo das práticas adotadas não é o interesse público, muito pelo contrário, contra o interesse público.

Tivesse o Presidente um mínimo de apreço pelo seu povo e já teria contribuído com o seu afastamento espontâneo para a recuperação nacional.

De Dilma dizia-se que devia ser afastada pelo conjunto da obra.

De Temer pode-se dizer que precisa se afastar pelo conjunto da turma, o grupo execrável que o cerca e que traz à mente o brocardo “dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és.”

Não há mais limites de vergonha para o que é feito, desde a Medida Provisória editada para dar a Moreira Franco o status de Ministro nas mesmas funções que já exercia como Secretário, apenas para lhe dar o foro especial.

Agora, o Presidente teve o desplante de modificar a legislação que impede o trabalho escravo e em seguida modificar as multas aplicadas em caso de infrações ambientais, algo de que não se tem notícia nem nos piores momentos da nossa história ou de qualquer País que mereça esse nome.

O Presidente está deprimindo a Nação, estimulando o extremismo de esquerda e direita e conduzindo o País a uma enorme abstenção em 2018, que beneficiará aquelas poucas agremiações suficientemente organizadas para transportarem as urnas os fanáticos a elas filiados que se comportam como se fora uma seita e não um partido.

É um grave crime de lesa pátria, pois na medida em que contribuiu para arruinar o passado recente e os momentos presentes que vivemos, repercute sobre o futuro, as eleições de 2018, que constituem a última oportunidade de uma saída institucional para o Brasil.

Se é verdade que a ordem jurídica veda a tentativa e o golpe de estado, não é menos verdadeiro que o direito constitucional assegura aos povos o direito à reação, pois não se pode exigir de um País que sofra indefinidamente pelo capricho de um governo a cada dia e a cada ato mais ilegítimo e mais inconstitucional.


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