Notas sobre o quadro político

autor André Pereira Cesar

Postado em 23/10/2017 10:05:38 - 09:55:00


Seguem as especulações eleitorais dentro e fora do governo/Arquivo/Divulgação

A base aliada do governo sinalizou que não apreciará medidas impopulares de agora em diante

A cena política segue em efervescência e movimentos importantes são esperados para breve. Façamos um resumo analítico da situação. 

(1) A segunda ação contra o presidente Temer irá a voto no final plenário da Câmara dos Deputados na quarta-feira, 25 de outubro. Apesar das recentes denúncias do doleiro Lúcio Funaro contra o presidente, a expectativa é de que o governo vença. Os votos favoráveis ao Planalto, porém, não devem atingir os 263 registrados na votação da primeira ação.

(2) O governo sairá ainda mais fraco desse processo. A base aliada inclusive sinalizou que não apreciará medidas impopulares de agora em diante, como a que congela os reajustes salariais dos servidores. O que veremos, até as eleições outubro do próximo ano, será uma atuação "arroz com feijão" por parte dos parlamentares.

(3) Ganhou força a percepção de que o presidente Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (Dem/RJ), estão com as relações estremecidas. Fiel aliado do Planalto desde 2016, Maia não aceitou o avanço do PMDB sobre parlamentares que negociavam com o DEM. Além disso, Maia quer um aliado seu no comando do BNDES. O deputado sabe que pode atrapalhar a agenda do governo e joga seu jogo.

(4) Com o mandato mantido por seus pares, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) decidirá nos próximos dias se fica ou não na presidência de seu partido. Cada vez mais isolado na agremiação, são reais as chances de que ele abra mão do comando.

(5) Enquanto isso, seguem as especulações eleitorais. Após mais uma polêmica, dessa vez envolvendo o composto alimentar farinata, o prefeito João Dória (PSDB) começa a patinar. Desse modo, ganha força junto ao empresariado o nome do apresentador Luciano Huck, que já circula junto a grandes empresários para saber das percepções destes. Há claras dúvidas, porém, se ele terá condições de enfrentar o duro pleito presidencial de 2018.

(6) Já o deputado Jair Bolsonaro estuda deixar o PSC, seu atual partido, e ingressar no Patriota (antigo PEN). O novo partido oferece mundos e fundos para ter o polêmico parlamentar como candidato à presidência no próximo ano. Caso confirme a mudança, Bolsonaro deverá levar consigo cerca de quinze deputados, vitaminando assim o Patriota no âmbito do Legislativo.

(7) Os partidos de centro-esquerda, por sua vez, trabalham com nomes velhos conhecidos do eleitorado - Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Lula (PT). Por ora, nada de novo nesse front.


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