As circunstâncias da delação de Joesley

autor Galba Velloso

Postado em 11/09/2017 08:38:59 - 08:35:00


A gravação de Joesley com Temer ainda precisa ser investigada/Arquivo/Fotomontagem

Se Joesley tivesse sido mandado à casa de Lula, o gravador teria feito registros alto e bom som

Permanecem sem qualquer esclarecimento as circunstâncias que levaram a conceder aos irmãos Batista uma imunidade penal, que causou ao País indignação maior que os ilícitos que pretendia denunciar.

A delação, dentro de uma interpretação razoável, pode importar em benefícios importantes para os colaboradores.

Mas por mais valiosa que seja, e no caso não era, não se pode conceder como prêmio uma isenção total de responsabilidade da qual não usufruem sequer os brasileiros de bem.

Igualmente soturno que tal delação se faça e consume de forma célere e sem qualquer indício prévio, à revelia da transparência, com o procurador denunciando de forma abrupta e o Juiz acolhendo como se não percebesse a magnitude do precedente.

Por outro lado, por que usar um amigo, irmão, filho, companheiro e criatura de Lula, para gravar não a ele, que seria um poço artesiano jorrando em capacidade máxima?

Por que usar o amigo de Lula para gravar Temer, obtendo respostas monossilábicas e quase inaudíveis, que só a técnica mais avançada pôde tentar fazer com que fosse aproveitável para fins processuais?

Se Joesley tivesse sido mandado à casa de Lula, e não de Temer, às 22h30, o gravador teria feito registros alto e bom som, não apenas do ponto de vista técnico, mas especialmente do ponto de vista fático e jurídico, para esclarecer o que só agora Palocci tornou indubitável: Lula sabia e era o chefe.

A Joesley Lula teria dito tudo, pela confiança, e até pela suspeita de que na verdade são sócios, através de Lulinha.

Esta confiança Temer não podia ter. Sabia estar diante de um representante do seu grande adversário, Lula.

Tendo eu militado por muitos anos como sócio do escritório de Direito Criminal do meu maior amigo, o eminente professor Pedro Aleixo, posso, pela experiência, sustentar que Temer agiu durante todo o tempo na defensiva.

Recebeu Joesley nas circunstâncias conhecidas para não perdê-lo de vista. Respondeu em monossílabos ou frases sucintas para não se comprometer. Evitou negativas para evitar o confronto.

Só por isso, quando Joesley diz que mantém bom relacionamento com Cunha, afirma com cuidado, por saber que a resposta chegaria ao deputado preso: “É preciso continuar isso, viu?”

Um confronto, uma desavença ou uma prisão em flagrante do interlocutor, como pretendiam os desvairados, seria fazer o jogo dos adversários.

Agora, Janot apresenta como explicação para a reviravolta na sua posição os mesmos argumentos que rechaçou quando formulados pelos alvos de sua ação.

O ministro Fachin não se pronunciou, ao que saiba, a menos que o tenha feito nos autos, sobre essas circunstâncias de todas as marchas e contramarchas.

Mas já se foi o tempo em que os Ministros só falavam nos autos, como atesto na condição de quem também o foi.

Uma das primeiras perguntas a serem feitas seria quem tinha interesse em tudo isso?

Quem tinha interesse, oportunidade e meios?

Um áudio que circulou pelas redes sociais registra uma imitação da voz de Lula telefonando para Joesley e lhe pedindo dois milhões:

 - Joesley, é o Aécio Joesley, estou telefonando para te pedir dois milhões... para mim.

E passados alguns minutos:

  - Joesley, é eu de novo Joesley, o Aécio. Você anotou o meu nome direitinho aí? Aécio, a, e, i, o, cedilha, u – A e c i o.

Se caísse o presidente da República, constitucionalmente previstas eleições para o cargo, que o PT exigiria que fossem diretas, com o candidato de sempre, Lula, antes de o seu desgaste prolongar-se até outubro de 2018.

Posta essa hipótese, por que razão o Procurador-Geral e o Ministro não se acautelaram com a audiência do Pleno do Supremo?

A prisão de Joesley e Ricardinho ainda deixa muito a ser esclarecido à Nação, além de ressarcido, pela oscilação do câmbio, dos juros e da inflação.


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