O grito de independência

autor Gilmar Correa

Postado em 06/09/2017 10:51:34 - 10:43:00


A bandeira do contraditório nasce com o grito do filho do rei/Arquivo/Divulgação

Estamos numa trincheira cívica onde o recuo não é ordem para ser cumprida

Dia 7 de setembro. É a data do calendário cívico nacional reverenciada como o marco da independência do Brasil da corte portuguesa. O país nasce sob a bandeira do contraditório. Seu passado lembra o filho do rei, que levantou a espada e teria dito, aos gritos, “independência ou morte”.

A História conta que esse simbolismo representou também a resistência dos contrariados.

Talvez a batalha mais sangrenta e que poucos falam é a de Jenipapo, em Campo Maior, no Piauí. Centenas morreram às margens do rio de um lado e de outro, nas escaramuças patrocinadas por interesses da elite portuguesa e brasileira, um ano após o grito de Dom Pedro I.

Nesta quinta, 195 anos depois, as Forças Armadas e tropas auxiliares e estudantes desfilam em sinal de respeito. É verdade que tem muita gente que fala que o nosso país nunca foi liberto do jugo dos poderosos.

Os fatos recentes parecem concordar com esse sentimento, mas também obrigam a observar que há algo de novo no horizonte do Brasil varonil.

Nunca antes na História desse país foram para a cadeia tantos empresários, aliados e políticos como nos últimos três anos num combate sistemático à corrupção, cujo símbolo é a Lava Jato.

Entretanto, a classe política teima em se afastar da realidade dura e cruel: o sistema está podre e precisa ser mudado. Estamos a alguns passos de uma conflagração moral e ética inimaginável – situação que não pode ser comparado, por exemplo, com o período de chumbo da ditadura militar ou na ditadura de Vargas.

Sim, o país mudou e se fala em política como de futebol em todas as esquinas e nos escaninhos da internet. A liberdade choca-se com a realidade. O enfrentamento é inevitável, e o sentimento de inferioridade do cachorro vira-latas um dia vai acabar. O 7 de setembro deve ser uma data para reflexão.

O Misto Brasília fez uma campanha (e certamente vai retornar com maior empolgação ano das eleições de 2018), contra a corrupção e contra os corruptos – sejam de esquerda, de direita ou de centro.

A imagem das malas e caixas de dinheiro estampadas na terça-feira pela Polícia Federal é sintomática. Até que ponto chegamos ao admitir que a corrupção constitui o DNA brasileiro. Não é verdade.

Lamentavelmente esta genética está entranhada nos poderes, nas gestões públicas. O brasileiro - aquele que sua para ter salário - não vive da propina.

Esta reflexão é necessária. Deve ser potencialidade e concretizada. O Brasil não é colônia, não é império e nem do Temer, do Lula, dos magistrados togados ou do prefeito corrupto e incompetente.

O Brasil é dos brasileiros que precisam dar, finalmente, o grito de independência.


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