Roxo, sandálias e bicicleta

autor Vitória Colvara

Postado em 08/08/2017 08:28:21 - 08:25:00


Praia é a primeira opção de nossa colaboradora/Instagram/Vitória Colvara

Mesmo sem saber direito onde está norte e sul, eu me encontro. E se me perco, eu pergunto

Minha havaiana muda de cor no sol. Assim como eu. Ela fica roxa que é a minha cor preferida desde sempre. E embora eu seja open mind para tudo e para todos, tem alguns detalhes que eu faço questão, tem alguns sentimentos que não abro mão e sempre tive as minhas preferências.

Adoro ouvir histórias da minha infância que me lembram o quanto eu sempre fui decidida. O fato de querer abraçar o mundo e fazer tudo ao mesmo tempo, me fez acreditar que eu era indecisa. Abracei a indecisão de uma maneira maluca. Lendo os astros e tentando entender tudo sobre libra, passei anos me achando confusa, indecisa, perdida.

Chego a tremer quando alguém me apresenta várias opções, mas se uma delas for roxa, não há dúvidas. Se for praia, eu nem penso duas vezes. Se tiver água pelo meio, tô dentro. Natureza? Crianças? Aventura? Viajar? Se jogar de um avião há 13 mil pés de altura? Vamos!

Acordei cedo, like an early bird. E decidi caminhar até a praia, já tinha memorizado o nome das ruas na noite anterior. Taí outra característica que abracei e que não me pertence, a de que não tenho senso de localização. Eu viajo o mundo.

Mesmo sem saber direito onde está norte e sul, eu me encontro. E se me perco, eu pergunto. Ou sigo o barulho da água. Decoro nome de ruas, de praças, estações de metrô. E tantas vezes me deixei guiar por pessoas que sequer entendem de mapas ou por aplicativos que tentam pensar por nós.

De longe avistei o mar. Estou no caminho certo. E quando vi o balanço não resisti... balancei o mais alto que pude até soltar as mãos com a tranquilidade de estar sozinha e a serenidade de fazer exatamente o que eu quero sem que ninguém me diga tome cuidado, não vai cair, desce daí.

Meu pai, ser humano que mais admiro nesse planeta, nunca tentou me impedir de escalar montanhas e atravessar oceanos. Com o coração na mão ele me ensinava a ser prudente, tirando as rodinhas da bicicleta, mas me esperando no final da ladeira.

Hoje se sou tão livre, tão independente, tão exploradora, é porque aprendi a confiar em mim mesma, acreditar nas minhas capacidades e me sentir segura onde quer eu esteja. Se curar de si é um processo árduo. 


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