Sêneca e o desperdício do tempo

autor Gilmar Correa

Postado em 01/07/2017 10:13:17 - 10:06:00


Sêneca ensina a darmos valor ao nosso tempo/Arquivo/DaBrevidadedaVida

Convocação dos sindicalistas seria uma informação inútil, não sensibiliza e não acrescenta

Olá, um belo dia de sábado. Sol luminoso na capital de todos os brasileiros. Friozinho gostoso. O belo dia deixa a gente mais alegre, não é mesmo?

Assisti há pouco um vídeo daqueles que a gente recebe no WhatsApp. Normalmente não “abro”, mas resolvi clicar e ver. Dizia que a gente gasta muito tempo com coisas inúteis. Perde-se muito tempo com informações que jamais vamos utilizar.

O vídeo de seis minutos fala de Sêneca, que nasceu antes de Cristo e que, supostamente, já falava desses dias modernos. Antes, como na ditadura da internet, somos os mesmos com o desperdício de coisas que não acrescentam nada à nossa inteligência ou ao bem-estar. Nesse quesito, segundo o que se disse, pouco ou nada evoluímos.

Assim, faço um paralelo precário com as manifestações de ontem quando a proposta da “greve geral” era parar o Brasil. Usei meu tempo para ver a repercussão das manifestações nesta manhã. Pelo que observei, a convocação foi um fracasso monumental.

Tirando-se os bloqueios do início da manhã e um ou outro confronto com a polícia, o dia “D” contra as reformas e contra o governo Michel Temer passou como uma chuva de verão.

Milhares de pessoas foram prejudicadas. O transporte foi parado, como em Brasília. Mas centenas de milhares de trabalhadores fizeram o que puderam para ir ao trabalho, tentar um emprego ou ir para uma consulta médica.

Assim, acho que o ensinamento de Sêneca teve algum propósito. O que interessa mesmo é empregar melhor o tempo em suas vidas. A convocação dos sindicalistas seria uma daquelas informações inúteis, não sensibiliza e não acrescenta.

Como disse Ricardo Boechat em seu comentário na sexta-feira, isso não quer dizer que a população não quer o fim da corrupção, o Fora Temer e limpar a política de corruptos. Numa sociedade cada vez mais individualista, a questão primeira é a pessoa, seu núcleo e sua vida.

Acredito que as mensagens da oposição e dos sindicatos não sensibilizam mais. Precisam se renovar e mudar sua comunicação. Mas é necessário, primeiro, admitir seus erros e eliminar o ranço político-partidário em suas entranhas. Um pouco de honestidade não faria mal, já que se cobra honestidade dos outros.

A apatia, como já foi dito pelo sociólogo Sérgio Abranches, essa indignação, em vez de se canalizar em um "grito de basta" suficientemente forte para promover mudanças, vem se traduzindo em "desolação, apatia, conformismo".

Então, não seria a hora de darmos valor ao que interessa? Quem sabe, Sêneca não tenha razão.


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