O tom das águas de março

autor André Pereira Cesar

Postado em 01/03/2017 09:01:21 - 08:55:00


Março será de intensa pressão sobre os políticos/Arquivo/CardápioPedagógico

Aliados de primeira hora do presidente Temer, nomes do PMDB, continuarão em situação delicada

Passados os festejos de carnaval e seguindo uma "tradição" brasileira, o ano começará de fato. E, no âmbito da política, iniciará de maneira intensa. O mês de março será de intensa pressão sobre os atores políticos, com inevitáveis reflexos sobre a economia e a opinião pública.

O governo Temer enfrentará, ao longo das próximas semanas, duras provas. As denúncias contra o núcleo duro do Planalto ganharão ainda mais espaço na imprensa. As delações de executivos de empreiteiras seguirão seu curso e atingirão o coração do governo. As recentes denúncias de José Yunes, amigo e ex-assessor de Temer, são claro indicativo do potencial danoso das informações para o Planalto. O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) já acusou o golpe.

Também dentro da coalizão governista os eventos repercutem de maneira negativa. Aliados de primeira hora do presidente Temer, em especial nomes de peso do PMDB, continuarão em situação delicada. Nomes não faltam - Renan Calheiros, Romero Jucá, Edison Lobão, entre outros. A lista é extensa.

Os demais integrantes da coalizão igualmente têm problemas. A saída de José Serra do Itamaraty, apesar de bem respaldada por questões de saúde, apontou para a fragilidade política do consórcio governista. Ninguém está a salvo, no momento.

Todo esse processo reflete na agenda governista, é claro. A complexa pauta reformista perde suporte. No caso da reforma previdenciária, eixo central das propostas da equipe econômica, há sinais de divisão na base. Dentro da comissão especial da Câmara que discute o mérito da questão já há governistas falando abertamente em alterar pontos cruciais da proposta, como a idade mínima de 65 anos para aposentadoria e os 49 anos de contribuição para receber os proventos integralmente. O jogo será bruto no colegiado.

Não é necessário enfatizar que esse quadro assusta investidores e se torna um poderoso obstáculo para a real retomada do crescimento econômico. A crise segue seu curso.

Em seu clássico "Águas de março", Tom Jobim fala em "pau e pedra e fim do caminho". Certamente o caminho do governo Temer seguirá sua toada. Mas os pais e pedras de muitos, em especial de setores da opinião pública, marcarão presença durante as águas de março.


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