Meu skate amarelo

autor Vitória Colvara

Postado em 18/02/2017 08:19:36 - 08:14:00


Um furto por conta de um skate e a insegurança em Brasília/Arquivo/Divulgação

Temos de estar sempre desconfiados. Cada segundo. Cada momento. Sempre temos que esperar o pior

Tentaram roubar meu carro enquanto eu dançava um forrózinho. Meu vidro ta todo trincado e eu to tendo que fazer mil rolês burocráticos pra conseguir consertar pelo seguro.

Mas eu sequer tenho o direito de ficar triste ou chateada ou revoltada com a violência de Brasília, capital federal, afinal de contas, a culpa da tentativa de roubo foi minha que deixei meu skate laranja no banco de trás atraindo ladrões. Também é minha culpa querer sair em plena quinta feira e ficar até o final da festa. Eu tenho que me convencer de que eu vacilei, de que eu sou idiota e de eu poderia ter evitado essa situação. Claro!

O normal, o correto e o padrão da sociedade é viver com medo. É esconder tudo o tempo todo. É se prevenir contra tudo e contra todos. Andar preparado, se puder armado. O correto é sair da festa antes do final.

Temos de estar sempre desconfiados. O tempo todo. Cada segundo. Cada momento. Sempre temos que esperar que o pior aconteça.

Claro que sei que nessas horas devo pensar numa linha de privilégios pra ficar de boas. Agradecer por ter um carro. Agradecer por ter amigos. Agradecer por estar viva, sã e salva e por não terem levado meu skatinho.
Agradecer ao Universo por tentar me explicar alguma coisa da vida através desse fato.

Hoje apareceu um casal de velhinhos no meu caminho. O que seria uma carona até a parada mais próxima se transformou numa carona até o hospital no qual a neta deles está internada por ter perfurado o próprio olho sem querer. Se eles tivessem ido de ônibus, não chegariam a tempo do horário de visita. Nessa carona na qual eles ficaram muito agradecidos, a gratidão maior foi a minha por perceber o quão insignificante é o vidro traseiros de um carro.


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