É preciso pensar o meio-ambiente por inteiro

autor Adalberto Melo

Postado em 06/06/2016 17:18:02 - 17:16:00


Banco de parque/Adalberto Melo

Somente uma visão holística e uma ação integrada pode salvar o planeta

Há muito que a visão integral da vida foi percebida como melhor caminho para a busca, em especial, da solução de problemas complexos. Apesar de  parecer óbvio que todos as áreas do conhecimento, todos os aspectos do viver interrelacionam-se, ainda temos dificuldades em conciliar teoria e prática nesta direção.

Seja na análise da estrutura celular ou na comunicação neural, e ainda nas imbricações fisio-pisíquicas, é fundente que não há como pensar a vida fora da interdependência e interconexão que nos constituem.  

Só para ficar em um exemplo simples observemos o avanço da medicina integrativa, orientada para um sentido mais amplo de cura, que visa tratar a pessoa em seu todo. Essa modalidade bastante difundida e de eficácia comprovada cientificamente tem sua base no entendimento de que corpo, mente e espírito formam um todo indivisível. Defende também um relacionamento diferenciado entre médico e paciente que passam a ser parceiros no processo de cura. 

No campo da administração e do empreendedorismo, entre outras áreas do conhecimento, a visão multidisciplinar fez sucumbir às idéias departamentalizadas que acabaram por influenciar de forma decisiva a construção de currículos escolares que não atenderam, em todos os níveis educacionais as demandas de uma sociedade que exige visões compartilhadas, multi e intradisciplinares, permitindo ampliar a visão sobre os processos de toda ordem. Ainda bem que isto também está mudando. 

Sendo assim, impossível é imaginar que a sustentabilidade possa ser pensada desconectada dos demais campos de nossa vida. Todos as iniciativas que se pretendam perenes e duradoras tem sua base em um pensamento sistêmico e integrado.  

Logo, é dessa fonte holística que precisamos nos abastecer todos os dias. Cidadãos, empreendedores, entidades governamentais e não governamentais,  públicas e privadas. Todos passageiros deste mesmo barco comum que é o nosso planeta. 

Dentro do processo temos que conviver com algumas incoerências e contradições, como na conferência Rio +20 em que o mundo debatia ações mais sustentáveis e na praça  de alimentação eram servidas em pratos de plástico nada biodegradáveis refeições com preços nada sustentáveis. Isso sem falar do patrocínio e apoio de empresas que não possuem uma prática comprometida com causas ambientais mais nobres. 

Também não se deve perder de vista o aprendizado das comunidades tradicionais que há milênios percebem nossas riquezas naturais como verdadeiros tesouros a serem preservados e agem de forma coerente na contramão das políticas desenvolvimentistas pensadas dentro de gabinetes e que atropelam o modo de vida e os saberes destes que resistem pagando até o preço da própria vida pela defesa da Terra. 

O esforço deve ser concentrado, em especial,  nas novas gerações. Quando conclui uma pós-graduação sobre o assunto, foi em um produto midiático voltado para adolescentes que focamos nossas energias, exatamente porque esse público é mais aberto para valores transformadores e fundentes. A infância também é campo fértil para novos valores, visto que ainda não adquiriram  tantos vícios. Belas lições podem ser compartilhadas com a preocupação “freiriana” de que “fora da boniteza e da alegria” nada se ensina, nada se aprende. 

Claro que antes de cada ação é importante avançarmos no conceito, na visão que a antecede, porque como bem disse outro educador extraordinário,  Rubem Alves:  “quem não planta jardim por dentro não planta jardins por fora e nem passeia por eles”. 

Estamos longe do ideal simples de compartilhar, de forma equilibrada, aquilo que nos é dado gratuitamente.

Avançamos na defesa de nossa morada, ainda que longe da velocidade que gostaríamos. Estou convicto - ainda bem que não sou apenas eu -, que somente pensando e agindo no ambiente por inteiro vamos conseguir algum resultado.

É semeando conceitos de harmonia e equilíbrio em tudo que vamos colher uma vida presente e futura melhor.


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