Pequeno guia da política em 2017 - 2

autor André Pereira Cesar

Postado em 06/01/2017 11:02:21 - 11:00:00


Plenário do STF: protagonismo na política também em 2016/Arquivo

No artigo de hoje a análise da tendência da política nos próximos meses também na área internacional

Operações da Polícia Federalao que tudo indica, a Operação Lava-Jato seguirá a pleno vapor pelos próximos meses. Novas etapas são aguardadas e o mundo político está cada vez mais preocupado com o processo em curso. As recentes delações da Odebrecht apenas elevaram a fervura e a tensão já reinantes. Trata-se de uma zona de risco.

Outras operações, como a Acrônimo, poderão trazer novidades. Por último, novas frentes de investigação estão sendo abertas, muitas delas focando prefeituras municipais.

Protagonismo do Judiciárioa chamada “judicialização da política” vem crescendo no Brasil nos últimos anos, e o fenômeno pode se acentuar ainda mais em 2017. Ações de grande impacto afloram nos tribunais superiores, em especial no Supremo Tribunal Federal, e a agenda de 2017 já reserva fortes emoções.

Não apenas as ações resultantes da Operação Lava-Jato, como referentes às delações de executivos da Odebrecht, serão destaque nos próximos meses. O processo sucessório na Câmara dos Deputados tem grandes chances de acabar na Corte, com impacto direto sobre o processo sucessório. Outras questões de impacto fiscal para a União, os estados e o Tesouro Nacional também serão discutidos. Os ministros do STF, mais e mais, vão se tornando quase “pop stars” reconhecidos nas ruas por todos os brasileiros.

Economiaa crise econômica, que afeta a todos os brasileiros, deverá seguir em 2017. Com doze milhões de desempregados, o país parece testar o limite de todos. O mais recente Boletim Focus, elaborado por economistas do mercado financeiro, não traz boas notícias – crescimento do PIB de apenas 0,5%, após uma queda de 3,49% em 2016, com inflação de 4,87%. Na avaliação de especialistas, ao menos o primeiro semestre repetirá o ano que se encerrou. Alguma recuperação, apenas no segundo semestre.

Além do drama que gera nas empresas e nas famílias, a crise econômica tem impacto direto sobre a política. O governo Temer precisa apresentar resultados concretos, com recuperação do crescimento, dos empregos e da renda. Do contrário, mais turbulência será sentida no curtíssimo prazo. Não há espaço para erros e a equipe econômica, Henrique Meirelles à frente, precisa mostrar a que veio.

Donald Trump presidente dos Estados Unidos da Américaa posse de Donald Trump em 20 de janeiro próximo representará um marco na política norte-americana e mundial. Um outsider em seu partido, o Republicano, o empresário-presidente alterará radicalmente as diretrizes dos últimos oito anos da política de seu país.

O trabalho e o projeto de Barack Obama serão rapidamente revisados. Políticas públicas de forte impacto social, como o “Obamacare” (saúde), deverão ser revertidos. A agenda internacional também sentirá as mudanças – os recentes atritos com a Rússia e com Israel serão objeto de revisão e as relações entre esses países voltarão a um patamar de menor tensão. A recente aproximação com Cuba também sentirá as mudanças.

Trump igualmente será mais duro com os imigrantes. Na política norte-americana, a temporada novamente será dos “falcões”. Com um Congresso amplamente favorável (Republicano nas duas Casas), o novo presidente terá plenas condições de implementar sua agenda.

Avanço do conservadorismo/Françaa onda conservadora se espalha pelo planeta e, ao que tudo indica, começa a estabelecer um novo ciclo na política mundial. Após o êxito de Donal Trump nos Estados Unidos da América, outro país-chave poderá ter no comando um político de perfil de direita.

Entre abril e maio, a França elegerá seu novo presidente. Com os partidos de esquerda divididos, são reais as chances de vitória de Marine Le Pen, da Frente Nacional, que representa a extrema-direita no país. Observadores da cena política francesa dão como muito provável a vitória da candidata, o que mudará de maneira dramática a correlação de forças não só na França, mas na Europa como um todo.

É importante se acompanhar com atenção o pleito francês, que terá impacto também no Brasil.

Terrorismoo mundo torna-se, a cada dia que passa, mais inseguro e toda a humanidade está exposta aos danos causados pelos terroristas, sejam eles grupos organizados (ISIS, Al-Qaeda, etc.) ou os chamados “lobos solitários”. Os recentes atentados em Berlim e Istambul deixam claro que o fenômeno é real e está longe de ser minimamente contido. Os governos precisam agir de maneira mais incisiva, e com mais inteligência, para evitar um aumento na já crescente onda de atentados pelo planeta. O Brasil não pode ficar de fora desse debate e da eventual ação dele decorrente.


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