''Dezembro de intempéries revisitado''

autor André Pereira Cesar

Postado em 12/12/2016 09:38:53 - 09:27:00


Temer no Nordeste foi uma tentativa de melhorar o índice de popularidade/Arquivo/PR

Dessa vez a agenda positiva será composta basicamente de matérias difíceis e impopulares

No início do mês, publicamos nesse espaço o artigo "Dezembro de intempéries", no qual alertávamos para os riscos que o governo Temer corria nas últimas semanas do ano. Os fatos mais recentes indicam que o pior cenário pode estar se materializando.

As informações contidas na delação de Cláudio Melo Filho, ex-executivo da Odebrecht, são nada menos que bombásticas. O que lá foi apresentado coloca em xeque não somente os atuais titulares do Planalto, mas o sistema político como um todo.

No caso específico de Temer, o quadro é ainda mais grave com um simples passar de olhos sobre seus índices de popularidade. O último DataFolha, divulgado no final de semana, aponta que apenas 10% da população aprovam seu governo, contra 51% contrários. Mais ainda, expressivos 63% defendem sua renúncia. Números similares aos da presidente cassada Dilma Roussef.

Importante ressaltar aqui que o campo da pesquisa ocorreu antes da delação do ex-executivo da Odebrecht tornar-se pública. Ou seja, há espaço para uma piora nos indicadores.
 

Pressionado na política, sem apoio popular e com seus principais colaboradores também denunciados, a Temer resta apenas a tentativa de estabelecer uma "agenda positiva". Velha conhecida em momentos de crise, dessa vez a agenda positiva será composta basicamente de matérias difíceis e impopulares. Para ficar em apenas dois exemplos, o governo concluirá a votação da PEC do teto dos gastos públicos e acelerará a discussão sobre a reforma da Previdência. Mais do mesmo, como se vê.

E assim chegamos ao final de 2016, um ano duro e que deixará marcas profundas no país. O dezembro das intempéries será apenas o gran finale desse processo.


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