Não seria o caso de uma renúncia coletiva?

autor Gilmar Correa

Postado em 10/12/2016 12:03:53 - 11:54:00


Manifestação que reuniu milhares contra a corrupção/Arquivo/RedeAgora

Ministra Cármem Lúcia deveria suspender o recesso e criar uma força-tarefa na Suprema Corte

A pergunta acima é provocativa. Decorre das últimas notícias que envolvem por suspeita de corrupção senadores, governadores, deputados, ministros e até o presidente da República. Nesta lista estampada em toda a Imprensa e reproduzida pelas redes sociais, observa-se que que toda a cúpula da República está sob suspeita e não apenas o PT e o PMDB.

A simples menção de estar envolvido em falcatruas já seria motivo para que uma autoridade deixasse o cargo. Cobra-se isso com frequência, mas a prática e o costume não se compara com episódios em outros países. No Japão, se alguém é pego com a mão na massa, o sujeito ameaça haraquiri, com a espada enfiada em seu próprio estômago. Na Korea, a presidente pega surrupiando o dinheiro alheio, veio a público para pedir desculpas. No Brasil, infelizmente, nem isso é obra dos chamados “homens públicos”.

O sistema político-eleitoral está podre. Disse isso recentemente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com todas as letras. Essa cantilena frequentemente é reproduzida nos púlpitos dos Legislativos e nas entrevistas e por especialistas. É uma realidade clara e cristalina.

Pois não seria este o momento de romper com esta situação lamentável? Será que não sobra um mínimo de compostura para essas pessoas envolvidas num roubo generalizado, ou como disseram os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, há uma metástase corrupta em todos os níveis da administração pública.

O Brasil já suportou muita coisa por conta dos desmandos. Os serviços públicos estão cada vez piores, como educação, saúde, segurança etc etc etc. A renúncia coletiva seria um peso a menos para esta Pátria Amada.

Saiam de seus cargos, limpem as gavetas, abram espaço para novos personagens. E como os próprios denunciados afirmam, as instituições estão firmes nesta democracia que acaba dando exemplo ao mundo. O eleitor está firme nesse propósito. As manifestações contra a corrupção provam isso.

Há mecanismos constitucionais que, se realmente preservados, podem garantir a governabilidade interina por meses.

Está na hora de a ministra Cármen Lúcia suspender o recesso do Supremo Tribunal Federal. Convocar ministros das Cortes Superiores e, a exemplo do Ministério Público Federal, criar uma força-tarefa para destrinchar com muito mais rapidez os processos da Operação Lava Lato.

Os delatores abriram mão de algum privilégio e abriram o jogo. Não seria o caso dos políticos também praticarem o mesmo pelo bem da Nação?

O momento é adequado e particularmente urgente da Justiça mostrar para que serve e para que é paga. É preciso que os brasileiros de verdade - não aqueles que dizem defender a República - assumir o papel de defesa da Pátria Amada.

Larguem seus cargos todos os suspeitos – com ou sem culpa no cartório. É hora da limpeza, é hora do Brasil virar a esquina dessa página da História que é uma vergonha nacional.


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