Sucessão no Senado - risco controlado?

autor André Pereira Cesar

Postado em 11/11/2016 09:36:55 - 09:32:00


Eunício e Aécio durante trabalho da Comissão de Justiça/Arquivo

Senador Aécio Neves pode tentar uma estratégia “suicida” e bancar uma candidatura alternativa

No artigo anterior, falamos do processo sucessório na Câmara dos Deputados e dos potenciais riscos de uma candidatura do atual titular do cargo, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Agora, analisaremos a situação no Senado Federal.

 A exemplo do que ocorre na Câmara, o Regimento Interno do Senado não permite a recondução do presidente na mesma Legislatura. No caso o presidente, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), jamais cogitou da possibilidade de disputar a reeleição. Isso não o impede, porém, de influenciar no pleito. E é exatamente isso que o senador alagoano está fazendo.

O senador alagoano trabalhou por meses para consolidar o nome de Eunício Oliveira (PMDB-CE) para ocupar a presidência da Casa a partir de fevereiro de 2017. Oliveira é um dos nomes fortes do PMDB no Senado e tem bom trânsito junto a seus pares, inclusive na oposição. Recentemente, ele relatou a polêmica proposta de emenda constitucional que estabelece um teto para os gastos públicos. Seu parecer manteve todos os dispositivos propostos pelo planalto e foi aprovado sem maiores problemas na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Caminho livre e seguro para o peemedebista? A princípio sim, mas ele e seus aliados não podem descuidar de todos os detalhes. Um possível problema pode estar no PSDB. Para não sair como derrotado diante do governador Geraldo Alckmin (PDSB-SP), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pode tentar uma estratégia “suicida” e bancar uma candidatura alternativa – Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES) são os mais cotados.

Caso concretizada, essa hipótese (ainda remota mas comentada nos corredores do Congresso Nacional) tem potencial danoso para a base aliada. No caso, a divisão entre os aliados seria inevitável. O Planalto está ciente disso e trabalha para uma composição entre as partes. A pergunta é: teria Aécio Neves coragem e disposição política para tentar tal jogada?

O quadro ficará mais claro a partir do final do ano. Até lá, as conversas ganharão intensidade e outros nomes poderão surgir no tabuleiro. A oposição, por exemplo, ainda não se manifestou sobre o processo e seu posicionamento poderá ser muito importante.

O jogo apenas começou.

 


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