Água pra quem?

autor Vitória Colvara

Postado em 09/11/2016 09:58:52 - 09:54:00


Barragem do rio Descoberto continua com reserva de água muito baixa/Arquivo/Agência Brasilia

A decisão parece ser sempre aquela que mais prejudica o cidadão comum e o trabalhador

Pelo terceiro ano consecutivo, eis que ressurge o racionamento de água no Distrito Federal. Previsto para começar essa semana, irá atingir pelo menos 85% das pessoas.

Engraçado é que o desperdício de água tem muito pouco a ver com o consumo pessoal da mesma. Os reservatórios não secam porque demoramos no banho ou porque escovamos os dentes muitas vezes ao dia. Assim como também não é nossa culpa a falta de gestão pública diante de todas as previsões meteorológicas sobre a iminente escassez.

Acontece que para os donos da água no nosso país, a melhor alternativa parece ser sempre aquela que mais prejudica o cidadão comum e trabalhador. Isso não acontece só com a água, acontece também com as repetidas tragédias ambientais ocorridas nos períodos de chuva e que levantam forte comoção social para realização de doações e pouca ação reparatória e preventiva do dano.

O Brasil possui mais de 12% das reservas de toda a água doce do mundo. No entanto, por aqui ela é disponibilizada gratuitamente por meio de outorga de recursos hídricos na seguinte proporção: 72% para o agronegócio; 22% para as indústrias e PASMEM: apenas 6% para o consumo residencial. Ou seja, apesar de não contribuirmos para o desperdício de água e esvaziamento dos reservatórios, somos nós que arcamos com o ônus dessa exploração desenfreada.

Agora vão jorrar, literalmente, campanhas na internet e na televisão pedindo para economizarmos água enquanto mais de 40 milhões de brasileiros sequer tem acesso a esse bem tão precioso. Se o objetivo é racionar água, talvez o problema esteja no nosso prato, não no nosso banheiro. É necessário refletir.


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