Sucessão na Câmara - o risco Rodrigo Maia

autor André Pereira Cesar

Postado em 08/11/2016 09:52:48 - 09:46:00


Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara dos Deputados/Arquivo/Agência Câmara

O núcleo político do governo Temer nutre simpatias por Maia, que é fiel aos interesses palacianos

Faltando cerca de três meses para a escolha das novas Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, os parlamentares já se articulam visando obter algum êxito no processo. No Senado a disputa não deverá reservar surpresas – o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) deverá ser eleito por seus pares o novo presidente da Casa. Na Câmara, porém, a situação está indefinida e uma eventual recandidatura do atual presidente, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), poderá tumultuar ainda mais o já conturbado ambiente político.

 Regimentalmente, Maia não poderia ser novamente candidato. Pelas regras vigentes, é proibido ao presidente da Casa disputar a recondução no meio de uma Legislatura. Assim, há dois caminhos para o deputado democrata. O primeiro seria uma alteração no Regimento Interno, de maneira a permitir a reeleição na mesma Legislatura. A alternativa a isso seria a interpretação de que Maia assumiu o cargo na qualidade de “tampão” e por curtíssimo espaço de tempo, estando assim liberado a disputar a recondução. Um questionamento nesse sentido já foi feito à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Para além das questões regimentais e legais, há o fator político. Deputados da base aliada já se movimentam e ao menos dois – Rogério Rosso (PSD-DF) e Jovair Arantes (PTB-GO) – tornaram públicas suas intenções. Os dois deputados representam o “centrão”, bloco partidário de fundamental importância para o Planalto. O núcleo político do governo Temer, por sinal, nutre simpatias por Maia, que tem atuado de maneira fiel aos interesses palacianos. O mesmo núcleo teme, porém, um forte racha caso o atual presidente decida disputar a recondução em fevereiro próximo. Nesse caso, a difícil agenda legislativa do governo ficaria ameaçada, com efeitos diretos sobre a ainda combalida economia.

Além do partido de Maia, o DEM, também o PSDB e o PPS sinalizam que poderiam apoiar a recandidatura do deputado fluminense. Ainda é pouco, porém, para garantir sua vitória.

A história recente mostra que uma divisão entre os aliados produz efeitos nefastos sobre o mundo político. Em 2005, o PT tinha a candidatura “natural” à presidência da Câmara, na figura do então deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). No entanto, o também petista Virgílio Guimarães (PT-MG) apresentou uma candidatura “alternativa”, o que abriu caminho para a inesperada (e inusitada) vitória do folclórico Severino Cavalcanti (PP-PE), que representava o chamado “baixo clero” da Casa. Para alguns analistas, deu-se aí o início da debacle do PT.

Os atores envolvidos hoje no processo (Planalto, base e oposição) têm plena noção da delicadeza do momento. Passos em falso e apostas erradas somente agravarão um quadro já difícil para todos. 


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