Um rápido balanço das eleições municipais

autor André Pereira Cesar

Postado em 31/10/2016 12:56:00 - 12:54:00


Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo/Divulgação

O governador Geraldo Alckmin obteve êxito em diversas cidades importantes do interior do estado

Encerradas as eleições municipais, é hora de olhar com atenção para o novo mapa político do Brasil. O que sinalizaram as urnas? Quais os vencedores e os perdedores? Qual será a influência do pleito sobre a sucessão presidencial de 2018? Essas são questões que começam a ser respondidas a partir de agora.               

Vencedores               

PSDB – sem dúvida o grande vencedor do processo eleitoral de 2016. As divisões internas do partido foram deixadas de lado durante a campanha e, a partir de 2017, o PSDB governará 34,4 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população.

Os tucanos saltaram de 695 municípios, em 2012, para 803 agora. Desses, sete são capitais, entre elas, São Paulo, a chamada “Jóia da Coroa”. Trata-se de um passo muito importante para as eleições de 2018.

Geraldo Alckmin – dentro do PSDB, o grande vencedor foi o governador paulista Geraldo Alckmin. Além de eleger o novato João Dória em São Paulo, Alckmin obteve êxito em diversas cidades importantes do interior do estado, onde aliados seus foram eleitos prefeitos. Com os resultados, o governador torna-se um pré-candidato natural à sucessão presidencial.               

Partidos “nanicos” – os partidos pequenos, conhecidos como “nanicos”, ganharam muito espaço nas eleições municipais. Legendas como PRB, PHS, PMN e PMB cresceram e, a partir de agora, juntam-se ao clube dos partidos que administram cidades importantes do Brasil. O caso mais emblemático foi no Rio de Janeiro, onde o senador Marcelo Crivella (PRB) derrotou com relativa tranqulidade no segundo turno o candidato do PSOL, Marcelo Freixo. O PSOL, por sinal também pode comemorar – o partido ganhou projeção junto ao eleitorado nacional e pode se colocar como uma alternativa real para a esquerda brasileira.

Novas regras eleitorais – as regras eleitorais estabelecidas para o pleito podem ser consideradas bem sucedidas. A proibição do financiamento de candidaturas por empresas e a redução do tempo de campanha obrigaram partidos e candidatos a ser mais “diretos” com o eleitorado. No saldo final ganharam todos, mas resta saber se essas regras serão mantidas nas eleições de 2018.

Governo Temer – mesmo sem participar de maneira explícita das eleições, o Planalto pode comemorar o resultado final. Partidos que integram a base de sustentação do governo Temer venceram de norte a sul do país e comandarão mais de 80% da população brasileira.

Ciro Gomes – a vitória do ex-ministro e ex-governador pode ser considerada “regional” (seu candidato foi eleito em Fortaleza), mas o saldo final reforça sua posição de pré-candidato à sucessão presidencial pelo PDT. Mais ainda, Ciro Gomes pode se tornar uma alternativa para eleitores de esquerda desiludidos com o PT.               

Perdedores                

PT – se o PSDB foi o grande vencedor do clico eleitoral que se encerra, o PT foi o grande perdedor. As eleições municipais de 2016 foram as primeiras, desde 1996, em que o partido viu a redução do total de prefeitos e vereadores eleitos. Em 2012, o PT elegeu 638 prefeitos e, agora, 254. O resultado das eleições encerra um processo iniciado com prisão de importantes lideranças do partido, teve sequência com as investigações da Operação Lava Jato e atingiu seu ápice no impeachment da então presidente Dilma Rousseff. O PT, tal como o conhecemos, não existe mais e isso terá reflexos importantes sobre a política brasileira como um todo.

Lula – dentro do PT o maior derrotado foi o ex-presidente Lula. Principal liderança do partido, ele não conseguiu utilizar de seu prestígio para levar aliados à vitória. As derrotas em São Paulo e no chamado “cinturão vermelho” (região do ABC paulista) são a síntese desse quadro. Lula perde musculatura política e, consequetemente, espaço no processo sucessório de 2018.

Aécio Neves – apesar do êxito do PSDB, o senador Aécio Neves pouco tem a comemorar. Seu candidato do Belo Horizonte, o deputado estadual João Leite (PSDB), foi derrotado por Alexandre Kalil (PHS), um estreante na política. A situação do senador fica ainda mais delicada, no plano partidário, quando se avalia o sucesso de Geraldo Alckmin. Somente uma postura mais assertiva e ousada de Aécio Neves, no Senado Federal e na cena nacional, poderá reverter esse quadro.

Classe política – o descolamento entre a classe política e os anseios da população ficou ainda mais evidente nas eleições municipais de 2016. No segundo turno do pleito, nada menos que 32,5% dos eleitores aptos votaram em branco ou nulo simplesmente se abstiveram de comparecer. Em 2012, o total no segundo turno foi de 26,5%. Trata-se de um claro sinal para os políticos e os partidos, que precisam urgentemente se reaproximar do cidadão comum.


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