A equação não é tão simples para 2018

autor Gilmar Correa

Postado em 31/10/2016 09:14:13 - 09:08:00


São cada vez piores os serviços públicos/Mosaico/Antonio Riccitelli

O eleitorado está insatisfeito com o sistema partidário e mostrou com as abstenções o nível do incon

Passadas as eleições municipais, as contas são feitas pelos partidos políticos. Quem ganhou, quem perdeu e como foi o pleito. Daí, soma-se tudo e se faz uma projeção do que pode acontecer nos próximos dois anos, Nunca se falou tanto numa eleição dentro de outra.

Para os políticos, a matemática para 2018 passou por 2016. Mas no mundo real a equação não é tão cristalina. Dois mais dois não são quatro e a variável é quase sempre mais importante que a lógica.

Começa pela grande insatisfação do eleitorado. O sistema - já se disse aqui algumas vezes - está podre. Se o voto não fosse obrigatório, a participação no pleito seria uma tragédia.

Mesmo com o voto obrigatório, 21,55% do eleitorado não compareceram no domingo para votar. Ou seja, de 32,9 milhões de pessoas que deveriam comparecer nas urnas no segundo turno, 7 milhões ficaram em casa. A atitude não foi um despeito com a democracia como fizeram os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, porque seus candidatos não estavam na disputa.

A ausência do eleitorado caracteriza um protesto na sua essência, porque a política partidária como está posta não atende aos interesses populares.

A presença de candidatos não representa o apoio popular. Veja no Rio de Janeiro. A abstenção na capital fluminense chegou a 26,85% (1,3 milhão de faltantes) e foram registrados 569,4 mil votos nulos (15,90% do total).

A soma de nulos e abstenções no Rio foi maior que a votação obtida pelo segundo colocado na disputa pela prefeitura, Marcelo Freixo (PSol), que teve 1,1 milhão de votos. O prefeito eleito, Marcelo Crivella (PRB), recebeu 1,7 milhão de votos. O total de votos brancos no município chegou a 149,8 mil.

Pensar em 2018 requer um exercício de realidade. As regras precisam mudar. Até os políticos falam nisso. Mas falar e realizar há uma grande distância.

Quilômetros de distância há entre as promessas de campanha e a gestão pública. A massa falida do serviço público atrasa o desenvolvimento e são cada vez piores os serviços exigidos pela população. Na contramão, a cobrança de impostos abusa da paciência diante de um caos generalizado.

Os políticos, os partidos e os gestores públicos vão precisar realizar muito mais do que que fazer as contas para 2018. Que estas eleições sirvam de algum ensinamento.


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