O Brasil de Luís Buñel

autor Gilmar Correa

Postado em 28/10/2016 14:41:05 - 14:32:00


Cena do filme do Luis Buñel, o Anjo Exterminador/Arquivo/Divulgação

As eleições municipais apresentam um quadro em que nada pode mudar no Brasil

No domingo, dia 30, milhares de eleitores de 55 cidades (18 capitais) retornam às urnas. O segundo turno completa o processo político-eleitoral dessa campanha que, na prática, mostrou que o eleitor está cansado do sistema partidário vigente.

O alto índice de abstenção e ausência na votação do primeiro turno refletem o grau de descontentamento que se apresenta na pesquisa divulgada nesta sexta, pela Fundação Getúlio Vargas.

Somente 7% (isso mesmo, 7%) dos brasileiros tem ainda algum respeito com os partidos políticos. O índice é o menor entre todas as instituições avaliadas que, de uma maneira geral, estão muito mal na opinião dos brasileiros.

Entre todas, o Exército (ou Forças Armadas) está melhor avaliada com 57% de aprovação. A Igreja Católica vem em segundo, com 50%. E metade da população acha que a metade da classe dos juízes é desonesta.

A Imprensa (a escrita) tem apenas 37% de apoio da população. E abaixo desse índice aparece o Judiciário. A desconfiança é geral.

Esta nova pesquisa apresenta um Brasil descrente com as instituições. A corrupção distribuída em todas as áreas públicas e o comportamento dos políticos é uma pá de cal na esperança que ainda resta.

Ou é como disse o ex-ministro Rubens Ricupero numa entrevista ao El Pais: “A História do Brasil mostra que viver na incerteza é o nosso normal.”

“Eu sempre lembro aquele filme do Luis Buñel, o Anjo Exterminador, em que os convidados de uma festa querem ir embora, mas, por um motivo inexplicável não conseguem passar pela porta de saída. Essa imagem lembra o que está acontecendo no Brasil neste momento”, observa Ricupero.

Aqui é o caso da realidade imitar a ficção, com certeza.


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