A ressaca esquerdista

autor Maya Félix

Postado em 03/10/2016 08:05:18 - 08:02:00


Governador Alckmin e o vencedor em São Paulo o empresário João Dória/Divulgação

Ganha fôlego o renascimento da direita liberal e conservadora e jovens de caráter liberal

Uma das conclusões mais visíveis destas eleições é que os brasileiros rejeitaram a esquerda e seu discurso. Após um torpor de décadas, quando o canto de sereia da esquerda seduziu as mentes dos intelectuais, dos políticos, dos artistas e de parcela influente da classe média e média alta da população brasileira, parece que o encanto começa a se desfazer — justamente quando o apogeu do governo do PT se fez realidade.

Lula, o maior líder de esquerda que a América Latina já teve, chegou a dizer, em 2010, que elegeria um poste, se quisesse. De fato, ele o fez: foi o maior cabo eleitoral de Dilma Rousseff, candidata sem nenhuma experiência eleitoral anterior, sem experiências administrativas de porte, sem traquejo político. Dilma, nascida da melhor tradição guerrilheira dos anos 70, na VAR-Palmares, havia cerrado fileiras no tradicional PDT de Brizola nos anos de abertura.

Como o PT, ao qual se filiaria depois, Dilma havia assumido o mesmo discurso de Lula e a mesma prática, incluindo a adoção do Estado gigante e ineficiente e o empreguismo de amigos e correligionários. Quando a crise chegou, o povo se deparou com os luxos da “presidenta” e de seus assessores, a corrupção na Petrobrás – após o Mensalão — e a falta de preparo de Dilma, o que trouxe à luz a incompetência da esquerda, após anos de PT.

A Operação Lava Jato evidenciou fatos chocantes sobre uma grande estrutura de corrupção que fez do bem público nacional objeto de um gigantesco esquema internacional de barganha político-ideológica que envolvia interesses pessoais, partidários e privados.

Somado a tudo isso, ganha fôlego o renascimento da direita liberal e conservadora. Isso ocorre por meio do surgimento de debates, do estudo de autores que jamais são lidos nas universidades, da discussão em grupos independentes e da criação de partidos políticos como o NOVO. Além do NOVO, levantam-se grupos jovens de caráter liberal como o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre, que impulsionaram as manifestações pelo impeachment e o debate em universidades, contrapondo-se aos movimentos de esquerda diretamente ligados a partidos como o PC do B e o PT.

Na internet, nas escolas, nas ruas, campos, construções o discurso coletivista à Mao está sendo substituído por um outro, individualista. Não é mais crime falar em privatização. Aliás, com a ineficiência dos Correios, a corrupção inominável na Petrobrás e a experiência bem sucedida da privatização das Teles e da Vale do Rio Doce, o verbo “privatizar” adquire mais e mais uma carga semântica positiva no imaginário político e econômico popular.

Comunismo voltou a ser sinônimo de ditadura: Cuba e Coréia do Norte só são considerados paraísos para um grupo muito restrito, e cada vez menor: os militantes quase religiosos dos partidos de extrema-esquerda. E, no final das contas, começamos a entender que é o mérito, e não qualquer discriminação dita "positiva", que deve ser o maior critério para a seleção em concursos públicos, vestibulares e afins, ainda que a Lei já esteja alterada.

Há que se percorrer um longo caminho para reencontrar o equilíbrio. Após o regime militar, criou-se a ideia de que a solução política, econômica e administrativa para os problemas nacionais estavam, obviamente, nos dogmas esquerdistas. A experiência está nos mostrando exatamente o contrário: nunca esteve.

 


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