Sumário dos problemas de “comunicação” do governo

autor André Pereira Cesar

Postado em 28/09/2016 10:05:41 - 09:53:00


Temer conduz reunião ministerial/Arquivo/Marcos Corrêa/PR

Da Lava Jato a anistia ao caixa dois, as declarações polêmicas que atrapalham ainda mais o governo

Chama a atenção do mundo político, da imprensa e da opinião pública em geral a série de problemas de “comunicação” do governo Temer. A questão já incomoda pois, dia sim o outro também, o país assiste a declarações polêmicas de integrantes do primeiro escalão, seguidas de desmentidos muitas vezes constrangedores. Exemplos não faltam, como veremos abaixo.

Anistia ao caixa dois – um dos homens da extrema confiança do presidente Temer, o secretário de Governo Geddel Vieira Lima declarou ao jornal “O Globo” ser pessoalmente favorável ao projeto de lei que anistia políticos envolvidos com a prática de caixa dois no passado. A polêmica declaração bateu de frente com os interesses da sociedade e Temer, tão logo avisado, declarou-se “surpreso” e “contrário à discussão da matéria”.

Trata-se de questão delicada. Geddel é dos principais articuladores do governo junto ao Congresso e suas palavras têm peso. O episódio não passou em branco.

Reforma trabalhista – o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, gerou forte reação contrária e irritou o Palácio do planalto ao afirmar que, entre os pontos da reforma trabalhista e gestação, estaria a obrigatoriedade de o brasileiro ser obrigado a cumprir uma jornada de trabalho de até doze horas por dia. Diante da repercussão negativa, o ministro negou que os direitos dos trabalhadores seriam retirados.

Tarde demais. O estrago já estava feito. O próprio presidente Temer precisou agir como bombeiro e orientou seu inábil ministro a negar o que havia dito. Relativamente novo na política, Nogueira representa seu partido, o PTB, no primeiro escalão do governo. Mais um erro desses e sua permanência à frente da pasta certamente correrá riscos.

Saúde – o ministro da Saúde, Ricardo Barros, coleciona gafes desde que assumiu a pasta, em maio último. Ele afirmou, por exemplo, que não haveria como sustentar os direitos estabelecidos pela Constituição Federal e que seria necessária uma “repactuação” da Carta. Ele defendeu ainda que mais pessoas tenham planos privados de saúde e disse que homens trabalham mais que mulheres e, portanto, têm menos tempo para buscar os serviços públicos de assistência.

A exemplo de seu colega Ronaldo Nogueira, Ricardo Barros comanda a pasta em nome de seu partido, o PP. O ministro, no entanto, tem larga experiência política, o que torna ainda mais graves os seus excessos na fala. Caso a situação não se acerte, sua permanência na Saúde também correrá riscos.

Ministro da Justiça e Operação Lava Jato – em evento de campanha ocorrido no interior de São Paulo, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que “muito em breve nova etapa da Operação Lava Jato” ocorreria. No dia seguinte, a Polícia Federal prendeu o ex-ministro Antonio Palocci.

As palavras do ministro geraram irritação e perplexidade. Sua posição no governo chegou a ser ameaçada, mas o presidente Temer decidiu mantê-lo no posto. O episódio, no entanto, deu munição aos que afirmam que a Lava Jato é partidarizada, com um claro viés anti-PT. Mais um estrago na imagem do governo.

Outros exemplos podem ser lembrados, mas paremos por aqui. O que fica claro é que, mais do que comunicação, o problema central do governo Temer é uma absoluta falta de sintonia entre importantes nomes do primeiro escalão e o Planalto. Somente buscando solucionar rapidamente essa realidade é que Temer poderá focar naquilo que realmente importa.

 


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