O “dia seguinte” de Lula

autor André Pereira Cesar

Postado em 15/09/2016 08:05:25 - 08:04:00


Lula enxuga o suor durante sessão de impeachment de Dilma/Ag Senado

Articulistas e blogueiros contrários ao ex-presidente e ao petismo demonstraram algum ceticismo

Sem entrar no mérito da questão, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra o ex-presidente Lula representa um importante movimento no âmbito da Operação Lava Jato. É do conhecimento geral que, mais do que jurídico-legal, o processo em curso tem forte conotação política.

A apresentação dessa quarta-feira teve dois elementos distintos.

De um lado, os jovens investigadores, comandados pelo procurador Deltan Dallagnol, foram incisivos e duros em suas palavras contra o petista, na tentativa de demonstrar segurança e confiança na exposição.

De outro, lacunas e inconsistências colocam em xeque o trabalho até agora realizado – “não temos provas, mas convicção”, segundo afirmaram os investigadores, pode ser a síntese disso. Também disparidades nos supostos pagamentos de propina a Lula, em comparação com integrantes dos segundo e terceiro escalões do esquema do Petrolão, reforçam essa percepção.

Militantes e simpatizantes petistas, por sinal, ironizaram fortemente certo primarismo dos slides apresentados pelos investigadores. Em tempos de redes sociais, o assunto dominou as conversas, em geral com muito humor.

Até mesmo articulistas e blogueiros contrários ao ex-presidente e ao petismo demonstraram algum ceticismo com relação ao apresentado e aguardam a evolução dos fatos.

De todo modo, o ocorrido nessa quarta-feira pode significar um duro golpe para Lula e o PT. O ex-presidente ainda é o principal nome da agremiação e, dada a crise enfrentada há certo tempo pelos petistas, seria a alternativa ideal para a sucessão presidencial de 2018 – pesquisas mostram que ele segue competitivo. Em caso de uma eventual condenação de Lula, como ficará o partido?

Igualmente é preciso acompanhar com lupa o que ocorrerá com os demais aliados do PT citados na denúncia, em especial o PMDB. O partido do presidente Michel Temer é investigado desde os primórdios da Lava-Jato e, caso apareçam nomes de integrantes do primeiro escalão do governo no esquema, respingará no Palácio do Planalto. Esse seria mais um grave problema a ser enfrentado pelo recém-empossado presidente, com consequências imprevisíveis.

Independentemente do resultado final do processo, ao PT resta se repensar. Uma ampla reestruturação partidária se faz necessária, com revisão programática, forte trabalho de imagem junto à opinião pública e o estímulo para que novos (e jovens) quadros surjam no horizonte. A palavra “refundação” deverá ser o mantra do partido.

Lula se manifestará ainda nessa quinta-feira, em São Paulo. Sua fala será importante para sinalizar os rumos da defesa.

Aguardemos os fatos.

 


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