Michel Temer em seu labirinto

autor André Pereira Cesar

Postado em 02/09/2016 08:26:05 - 08:20:00


Temer em pronunciamento no Palácio do Planalto/Beto Barata/PR

PSDB e DEM ameaçaram deixar o governo devido à polêmica decisão de se manterem os direitos políticos

Consumado o impeachment de Dilma Rousseff, a hora da verdade chegou para Michel Temer. Na condição de presidente efetivo, ele não terá mais espaço para erros. A partir de agora, ele e sua equipe serão fortemente cobrados por todos, e não haverá desculpas aceitáveis por parte do Planalto. Um eventual êxito – ou fracasso – do governo do peemedebista dependerá, em larga medida, de uma série de fatores e elementos que se entrelaçam e se complementam. Vamos a eles.

O ponto central do governo Temer é a retomada do crescimento econômico. Como já foi dito aqui, o presidente sabe que não pode haver falhas na condução do ajuste. Assim, logo após assumir em definitivo a cadeira, ele já deixou claro qual será o “núcleo duro” desse ajuste – mudanças na legislação trabalhista e na Previdência, estabelecimento de um teto para os gastos públicos, renegociação da dívida dos estados e alterações nas regras do pré-sal. Medidas evidentemente impopulares, que demandarão intensa negociação.

Essa negociação se dará, em boa parte, no Congresso Nacional. Por isso, é necessária uma base aliada sólida e confiável. Até o presente momento não se vê essa solidez e confiabilidade. Dois exemplos ilustram isso. Em primeiro lugar, PSDB e DEM ameaçaram deixar o governo devido à polêmica decisão de se manterem os direitos políticos de Dilma. Além disso, já há claros sinais de “estranhamentos e cotoveladas” entre o PMDB e os partidos do Centrão. Essas fissuras na base precisam ser rapidamente resolvidas, sob risco de atrapalhar a condução da agenda governista.

O possível racha na base poderá ser reforçado pela ação dos partidos de oposição. O PT e seus aliados trabalharão para minar os projetos de Temer, como ficou claro no discurso final de Dilma, que afirmou que “não dará trégua ao novo governo”. Cabe lembrar aqui que muitas das proposições legislativas do Planalto são ou serão compostas por propostas de emendas constitucionais (PECs), que demandam quorum qualificado para serem aprovadas.

A oposição contará com o apoio dos movimentos sociais historicamente ligados a ela. CUT, MST e outros certamente utilizarão suas bases para pressionar contra propostas que, em tese, retirarão direitos sociais e trabalhistas conquistados há tempos.

Também o movimento das ruas será fator importante nesse processo. Os primeiros dias de governo Temer já mostraram que parcela significativa da população está insatisfeita com o afastamento da petista. A palavra “golpe” vem sendo fartamente utilizada e os conflitos de rua nas principais cidades do país deverão apenas piorar a situação geral. A ninguém interessa um cadáver.

A opinião pública igualmente não pode ser deixada de lado. As pesquisas de opinião têm indicado que a popularidade de Temer é baixa, sendo inclusive próxima à de Dilma. Caso esse quadro se mantenha, o peemedebista corre o risco de perder apoios importantes, inclusive no Congresso Nacional.

Por fim, há o imponderável vindo das operações da Polícia Federal, em especial a Lava Jato. Caso as investigações tenham sequência e novos nomes surjam, o governo e seus aliados poderão correr riscos adicionais.

Fica claro, portanto, que não haverá facilidades no caminho do recém-empossado governo. As cobranças serão muitas já a curto prazo. O tempo corre rápido para Michel Temer.


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